The Cramps Discografia Faixa a Faixa

In Bandas, Discos

Los Angeles é a cidade que atende pelo sobrenome de “o lugar onde os sonhos acontecem”. Lá, muita gente desembarca em busca de fama, dinheiro, sucesso e glamour à sombra do famoso letreiro de Hollywood. Los Angeles é também a terra das celebridades do cinema, dos astros da música, das casas de luxo e de uma calçada da fama que possibilita que as pessoas caminhem sobre as estrelas. Mas, segundo a colocação de um conhecido, Los Angeles é, na verdade, “o lugar onde os sonhos morrem”. E este dito parece vestir muito bem todo o universo determinado por uma das maiores bandas de rock do mundo, o Cramps.

Sem exageros. Uma das maiores expressões do rock de todos os tempos é fruto de muito mais do que a vontade de tocar e de ter uma banda. É resultado do amor entre Lux Interior e Poison Ivy, o núcleo formador do Cramps, e um dos casais mais insanos e atraentes da música.

Comparado aos gigantes da indústria, o Cramps não é um nome de estrondoso sucesso comercial ou a banda que mais vendeu, mas é a que praticamente criou um estilo de vida e arranhou alguns padrões e costumes daquela Los Angeles envernizada por um sucesso oco. Provocou temores e tremores de abalos incalculáveis, que imprimiram uma atmosfera delinquente e de descontrole genuíno. Bruto. Detalhe: tudo isto na já distante década de 70.

A banda fez sua primeira aparição em 1976, um ano antes da explosão do punk no mundo. Sobre este início, nas anotações presentes no encarte da coletânea How To Make A Monster, Lux conta que eles queriam ser tão chocante, sexy e original quanto a cultura que gerou os pioneiros do rock durante as décadas de 50 e 60.

Fascinados por LPs, por muito pouco Poison e Lux não deram o nome de Bop Crazy Babies à banda – o que, convenhamos, também seria um batismo de bom gosto. O nome vinha de um disco de Vern Pullens que teve apenas 200 cópias prensadas e que só foram distribuídas no Texas. O casal, claro, tinha uma das cópias.

Fãs de músicas simples, as chamadas easy listening, Poison e Lux sempre foram duas almas em constante excitação. Somaram diversão teen, letras sobre monstros, sexo, carros dos anos 50, Martínis e filmes de ficção científica de baixo orçamento. Adicionaram um clima burlesco à surf music do Trashmen e ao peso niilista dos Stooges. Injetaram certa perversidade ao rockabilly e criaram o psychobilly, resultado de uma equação inflamável que poderia tanto servir de trilha para algum drive-in decadente dos anos 50, como estar presente em discotecagens nas melhores baladas roqueiras dos dias de hoje.

Pra gente tudo começou com o rock/noise garageiro de Psychedelic Jungle, segundo disco da banda. Depois disso, foi um caminho sem volta e o Cramps passou a ser algo muito presente.

The Cramps ao vivo no Club 57. Foto: David Redfern

Guy Piccioto (Fugazi/One Last Wish/Rites of Spring), em uma entrevista que fizemos em 2016, disse que foi ver um show do Cramps em 1979. Ele conta que sentiu uma combinação de choque e admiração, e a ideia que ele tinha do tipo de energia que poderia explodir em um show foi totalmente rearranjada depois daquele dia.

Para falar sobre o Cramps visto ao vivo, seu companheiro de Fugazi, Ian Mackaye, ofereceu generosas aspas a Michael Azerrad, no livro Our Band Could Be Your Life: “…Foi o momento em que percebi que havia ali uma comunidade que era política, teológica, artística, sexual, física e musicalmente confrontativa. Este é o mundo em que eu posso respirar. Isso é do que eu preciso”.

Henry Rollins, do Black Flag, também é outra figura que viu o Cramps em ação na Washington DC da década de 70 e disse ter sido assustador estar na primeira fila em um show que aconteceu num lugar do tamanho de uma sala de estar.

A importância é inegável. Quem viu ao vivo, ouviu os discos, acompanhou de perto ou simplesmente esbarrou com o Cramps em algum momento da vida não passou ileso. Eles desmembraram a simplicidade do rock e do punk no minimalismo da guitarra de Poison Ivy e no carisma de Lux Interior, aliada a um mistura de Iggy Pop aditivado por um Elvis Presley do inferno.

No livro Barulho, André Barcinski conta que, depois de um show cheio de jovens que tinham entre 15 e 17 anos, perguntou ao Cramps se não era um contrassenso que a garotada fosse ver uma banda que, na época, já fazia aquele mesmo som há décadas. Poison respondeu: “Nunca pensamos nisso… há 20 anos que ouço as mesmas coisas: Duane Eddy, Link Wray, Stooges, Sonics. Há muito tempo que eu e Lux só vemos os mesmos filmes de terror. Vamos fazer isso até o fim. Estamos há muito tempo indo na mesma direção, por isso conseguimos fazer uma coisa tão honesta e profunda”. Ela ainda completa: “O que fazemos é como o amor, não é como uma paixão assim repentina que daqui a pouco acaba. Nós amamos o que fazemos e o amor é pra sempre”.

É isso. O Cramps é mesmo pra sempre e este Discografia Faixa a Faixa é uma de nossas muitas maneiras de viajar entre as músicas, a discografia e homenagear esta grande banda.

“Domino”
Gravest Hits
(1979)


Gravest Hits foi produzido por Alex Chilton, do Big Star, que também chegou a dizer que o Cramps era a “melhor banda de rock do mundo” (viu, não é só a gente que acha isso). O disco é uma linda prova disso.

O álbum junta, em um só pacote, as primeiras gravações oficiais da banda, que por uma questão de falta de grana, foram lançadas separadamente pela Vengeance em 1978. Um ano depois, “Surfin’ Bird”, do Trashman; “The Way I Walk”, de Jack Scott; “Human Fly” e “Domino” foram lançadas via IRS na Europa, sob o nome de Gravest Hits. No disco ainda foi adicionada uma versão para “Lonesome Town”, cantada por Ricky Nelson, e as cinco músicas deram forma ao LP 10”.

É meio estranho começar um Discografia Faixa A Faixa falando sobre uma música que não é de autoria da banda em questão, mas “Domino” exerce um poder bem esquisito sobre a gente. Não dá pra fugir. É música de ouvir em looping. Daquelas que, quando terminam, você fica meio sem rumo, querendo voltar e sem entender por que acabou. Aí você aumenta o volume, repete a dose e tenta sempre viajar de volta para o lugar de onde ela veio.

Originalmente gravada por Roy Orbinson, uma das vozes mais lindas do rock, “Domino” caiu no submundo concebido pelo Cramps em um acerto sem precedentes de Lux Interior, Poison Ivy, Bryan Gregory e Nick Knox.

“Domino” é parte de um registro que mostra que o Cramps não seria só mais uma banda no então nascente revival do rockabilly americano.

“Garbageman”.
Songs the Lord Taught Us
(1980)

Songs the Lord Taught Us, que nome para um disco! Na época em que foi lançado, o álbum fez par com uma coleção de bandas na retomada do rockabilly. Entre elas, o Stray Cats, que um ano depois lançaria seu ótimo álbum de estreia. Mas o Cramps não era um revival de algo e, embora Poison Ivy tenha dito que o disco não teve um resultado sonoro que representasse o que era a banda, é inegável que o disco é um belo indicativo da potência de uma banda que, entre suas composições, presenteou o mundo com a crueza de “Garbageman”. Um ato costurado por reverb, noise e um enunciado que escancara: You ain’t no punk, you punk / You wanna talk about the real junk? / If I ever slip, I’ll be banned / ‘Cause I’m your garbageman. Clássico instantâneo.

Em entrevista no livro Incredibly Strange Music, Poison Ivy disse que Cordell Jackson, uma de suas cantoras favoritas, esteve presente durante a gravação de Songs the Lord Taught Us. Se isso foi ou não um evento de sorte, fica a critério de cada um em ouvir e sentir o impacto disso no disco.

Pôster de divulgação de Songs the Lord Taught Us

“The Natives are Restless”
Psycodelic Jungle
(1981)

Com Psycodelic Jungle, um novo mundo se abriu. Este é o primeiro disco sem o guitarrista Bryan Gregory, que um belo dia pegou parte dos equipamentos da banda e nunca mais foi visto. Para seu lugar foi chamado Kid Congo Powers, que depois do Cramps se juntaria ao Nick Cave and the Bad Seeds.

Obscuro, sedento e mesmo que tenha um resultado mais “limpo”, Psycodelic Jungle é um campo largo e fértil em que Poison Ivy desfila com conhecimento de causa seus riffs e fraseados calcados no rockabilly e com uma ainda forte presença da surf music.

A gente confessa. Nosso apego a este disco dificultou um pouco as coisas. Entre tantas, ficamos com “The Natives are Restless”, uma música inundada por um riff pegajoso que acomoda os vocais de Lux que aqui deixa escapar ecos de Jerry Lee Lewis, só que muito mais insano.

“Faster Pussycat”
Smell of Female
(1983)

É comum alguns registros ao vivo não serem tão ao vivo assim. Tem correções, gritos e aplausos falsos, overdubs, correções e refações de um ou outro detalhe. Não é o caso. Em Smell of Female, um dos primeiros discos que ouvimos, a magia está lá, pulsante e ao vivo.

Entre “Thee Most Exalted Potentate of Love” e “Psychotic Reaction”, o Cramps soa mortal. São apenas seis músicas, e em cada uma delas Lux Interior parece um MC do inferno. Um verdadeiro messias do caos. Pelo menos no nosso imaginário esse era o clima. A guitarra da Poison Ivy complementa toda esta loucura, mesclando noise e lindos acordes, como em “Faster Pussycat”, nosso registro preferido de Smell of Female.

Quase não dá pra chamar de cover. “Faster Pussycat” é uma declarada admiração a música gravada pelo The Bostweeds. E a convicção com que o Cramps reverencia a versão original transforma essa maravilha em um portal para uma highway em algum amanhecer ressacado da Los Angeles da década 60. Linda!

“Aloha From Hell”
A Date With Elvis
(1986)

Uma das resenhas desse disco dizia que, com A Date With Elvis, o Cramps começava a pensar no ambiente de estúdio somente como um local de gravação e não um lugar para despejar toda a loucura da banda. Numa visão de alguém que escutou esse álbum na época do seu lançamento, pode, com ressalvas, até fazer sentido.

Pra gente, A Date With Elvis sempre pareceu uma ponte mais segura do que criativa entre a selvageria dos primeiros discos e a certeza que a banda parecia ter no direcionamento ainda mais barulhento e psychobilly que aconteceria dali em diante. Entre os bons momentos do álbum, “People Ain’t No Good”, “What’s Inside a Girl?”, “Can Your Pussy Do the Dog?” e “Aloha From Hell”, que ainda reverbera uma boa dose das raízes da banda e que, por este motivo, é a nossa escolhida.

“What’s Inside a Girl?”
Rockin n Reelin in Auckland New Zealand XXX
(1987)

Uma das melhores músicas de A Date With Elvis é também um dos melhores momentos desse segundo registro ao vivo lançado oficialmente pela banda. “What’s Inside a Girl?” não precisa de grandes explicações, justificativas ou defesas. É um dos melhores momentos do show que aconteceu no dia 27 de agosto de 1986, em Auckland, Nova Zelândia. Assim como em Smell of Female, é possível sentir a energia explosiva da banda no palco. Portanto, aumente o volume e aperte o play!

“Bikini Girls With Machine Guns”
Stay Sick
(1990)

Stay Sick é um dos marcos na discografia do Cramps. O disco teve muito reconhecimento devido ao sucesso de “Bikini Girls With Machine Guns”, um dos melhores títulos da banda e de onde eles tiraram o nome do álbum (…just as soon stay sick). “Bikini Girls…” tinha um clipe que rolava muito na TV e que foi, segundo Lux Interior, inspirado pelo vídeo de Ted Lyons and His Cubs e todo o clima das produções indianas. Dá uma olhada nos vídeos e tire suas próprias conclusões.

Stay Sick vendeu muito. É um álbum que agradou bastante o público com seus grandes momentos. Entre eles, a incrível “God Damm Rock and Roll”; “Jackyard Backoff”, que só saiu como bônus na reedição em CD de 2001, e “The Creature from the Black Leather Lagoon”, onde Lux avisa já no início: Better ask my momma how to make a monster… Mas nenhuma é tão forte como “Bikini Girls…”.

Dito isso, façamos uma aposta. Tente impedir seu corpo de perder o controle e sair dançando infectado pela levada de “Bikini Girls…”.

“Two Headed Sex Change”
Look Mom No Head!
(1991)

Em Look Mom No Head, o Cramps parece mais alinhado com o momento em que o disco foi lançado. Algumas das características da banda surgem em uma música ou outra, mas, em comparação ao que a banda lançou até aqui, Look Mom No Head se mostra polido demais. Veja bem, não é um disco ruim, longe disso, mas é um Cramps diferente. Mais acessível, talvez.

Entre os destaques, o início forte de “Dames, Booze, Chains and Boots” é realmente contagiante; “Miniskirt Blues”, que conta com a participação de Iggy Pop, é bem legal, assim como “Jelly Roll Rock”, que encerra o disco em grande estilo.

Mas, mesmo com alguns momentos mais mornos, “Two Headed Sex Change” é o grande destaque. Talvez junto com “Dames, Booze, Chains and Boots”, ela é, pra gente, a melhor faixa do disco.

“Mean Machine”
Flamejob
(1994)

Dezoito anos depois, maioridade alcançada, e o Cramps ainda tinha a mesma força. “Mean Machine” é cheia de um groove sexy e perigoso. Parece uma ameaça eminente. Quase como se Lux estivesse ali, cantando do seu lado. Do mesmo disco é a genial “Naked Girls Falling Down The Stairs”, que teve seu nome inspirado em uma obra de Marcel Duchamp. Em entrevista à Plazm Magazine, Poison Ivy conta que ela e Lux Interior tinham a pintura de Duchamp em casa.

Mais uma das homenagens feitas pela banda e que resultou em um dos grandes hits do Cramps. Mas, apesar de “Naked Girls…” ter tocado bastante por aqui, é da intrigante e pesada “Mean Machine” o lugar na nossa lista.

“It Thing Hard-On”
Big Beat From Badsville
(1997)

Garage punk lotado de fuzz e microfonias. Big Beat From Badsville é um disco alto em sua essência. Um disco do rock. De rock alto. Douglas Wolk, em uma resenha sobre um box especial do Cramps, escreveu que “eles sempre foram uma banda melhor nos singles do que em álbuns completos”. Com certeza esse cara não ouviu Songs the Lord Taught Us, Psycodelic Jungle, Stay Sick e muito menos o maravilhoso Big Beat From Badsville. Esse cara não ouviu Cramps.

O sétimo disco de estúdio é também o primeiro sem nenhum cover ou versão de outro artista. É 100% Cramps. No meio de tanta música boa, a suja e densa “It Thing Hard-On” é a nossa eleita na difícil missão de escolher uma representante de um dos nossos discos prediletos da banda.

“Elvis Fuckin Christ”
Fiends Of Dope
(2003)

O que temos aqui são os nossos homenageados homenageando quem eles tanto gostavam e respeitavam. A visão é de um rei decadente, inchado e recheado pela mistura condenatória de pílulas e bourbon. Um fuckin Elvis que Lux evoca como sendo o seu cristo. Well, I fell outta bed this mornin’ / Saw what the guy on TV said / The big rock awards / Crowned a brand new king / It shoulda been me instead / Don’t they know I’m / Elvis fuckin’ Christ (Pois é, eu caí da cama nesta manhã/ Vi o que o cara na TV disse / O grande premiado do rock / Um novo rei foi coroado / Deveria ter sido eu ao invés disso / Vocês não sabem quem eu sou / Elvis fuckin’ Christ). Precisa dizer algo mais?

Recorrendo mais uma vez ao livro Barulho, Poison Ivy conta que sempre preferiu a fase crooner do rei. “Foi quando Elvis começou a usar elementos meio macabros no seu modo de cantar”. E isso faz muito sentido no jeito como o Cramps entoa suas músicas; entre elas, a nossa escolhida. Uma criação tão boa quanto o título condiciona. Um verdadeiro coquetel de energia indócil servido em clima inspirado.  “Elvis Fuckin Christ” é perfeita!

…Off The Bone (1983)
Bad Music, For Bad People (1984)
How To Make A Monster (2004)
The Cramps: File Under Sacred Music Early Singles 1978–1981 (2012)

Além dos álbuns oficiais, boa parte da discografia do Cramps também está diluída em EPs, registros ao vivo e coletâneas que podem ser uma boa base para quem quer conhecer a banda. Entre elas, Bad Music For Bad People é a mais famosa, e uma grande parcela desse reconhecimento é devido a capa icônica, criada por Steve Blickenstaff.

Com certeza você já viu esse desenho estampado em camisetas por aí, mas o que importa mesmo é o conteúdo e pra quem quer conhecer mais sobre a banda em uma visita rápida, Bad Music For Bad People é um caminho bastante efetivo.

Bad Music For Bad People é uma compilação em versão reduzida da primeira lançada pela banda, …Off the Bone. Dez das faixas de Bad Music For Bad People também estão em …Off the Bone, lançada um ano antes na Inglaterra com foco nas gravações que o Cramps fez entre os anos de 1979 e 1983. Ou seja, o Garvest Hits, coisas do Songs the Lord Taught Us, Psychedelic Jungle, Smell of Female e uma versão ao vivo de “You Got Good Taste”.

Em 2004 eles lançaram How to Make a Monster, uma compilação dupla que ainda trazia um livreto com pouco mais de 20 páginas. O disco 1 tem gravações de ensaio de 1976, algumas demos de 1982 com Terry Graham, do Gun Club na bateria, e outras gravações inéditas. O disco 2 traz duas gravações ao vivo, uma do Max’s Kansas City e outra do CBGB.

A última coletânea é um box maravilhoso com os singles 7’’ lançados entre 1978 e 1981. São dez compactos que retratam uma uma ótima fase de uma banda importantíssima para a cultura do rock. Mais que a música, o Cramps retratou um estado de espírito, um jeito de enxergar o mundo e de viver leal ao que se acredita.

Os singles do box File Under Sacred Music – Early Singles 1978-1981. Foto: Sounds Like Us

O mundo do Cramps é algo que deu a volta no próprio sentido de utopia e conseguiu transformar um tanto de ilusão barata em realidade. As histórias contadas pela banda, que algumas críticas disseram ser risíveis, fazem falta. O Cramps faz falta.

Hoje, nossos monstros não são nada alegóricos e a realidade é bem mais mal cheirosa e horrenda do que o cenário pintado por eles em toda sua discografia.

O que o Cramps oferecia sempre foi estranhamente atraente. Um lugar para onde a gente sempre gostou de ir e a falta disso explica o que é reconhecer de fato que a banda deixou de existir.

Pensando bem, talvez a palavra falta não seja a melhor definição. Os discos estão aí, a obra permanece. E confessamos: no fundo, no fundo, sempre foi muito bom saber que a gente vivia no mesmo planeta que esses malucos adoráveis.

Foto: Divulgação