Entrevista: Alex Edkins (METZ)

In Entrevistas


Matéria publicada originalmente em 2014, no site Suppaduppa.

A Sub Pop deixou o berço Seattle para uma exploração menos regionalista e foi encontrar, na vizinha Canadá, a ressignificação do combo simplicidade e barulho. Deparou-se com o o trio METZ, que preenche os espaços de sua formação econômica – guitarra, baixo e bateria – com volume, ruído e aspereza. A banda veio ao Brasil em 2014 mostrar seu elogiado disco de estreia, METZ (2012) e sujeitar à nossa comprovação a fama que carrega de fazer shows absurdamente altos e vigorosos, adquiridos de seu DNA punk e hardcore. O Sounds Like Us conversou com o vocalista e guitarrista Alex Edkins para conferir a expectativa dele, de Chris Slorach (baixo) e de Hayden Menzies (bateria) de vir para o Brasil [nota: entrevista feita em 2014, antes do show] e, de quebra, descobriu que eles alugam um quartinho insalubre com os também canadenses Fucked Up para fazer barulho sem incomodar Toronto.

Sounds Like Us: Quando o METZ começou? Onde vocês costumavam tocar antes de assinarem com a Sub Pop e como se faziam ser ouvidos?
Alex Edkins: A banda começou em Ottawa, por volta de 2007. Hayden (baterista) e eu estávamos bastante envolvidos na cena punk/hardcore de lá, tocando e indo para vários shows. Éramos fãs da banda que cada um tinha e decidimos montar o METZ. Nosso primeiro show ocorreu em um porão, e continuamos a tocar em porões e clubes pequenos mesmo depois de nos mudarmos para Toronto. O boca a boca foi ficando maior a cada show.

Sounds: A música de vocês é extremamente alta em um momento em que muitas bandas nascem em apartamentos e, portanto, têm muitas restrições ou nenhuma garagem para fazer barulho. Ensaiar chegou a ser uma dificuldade para vocês, considerando o som alto que fazem? Ou vocês conseguiram achar bons lugares para fazer barulho em Toronto?
Alex: Na verdade, não. Dividimos com o Fucked Up o aluguel de um quartinho nojento. É um lugar horroroso pra se visitar todos os dias, mas acho que ele ajuda a manter nossa raiva e, assim, descontamos tudo nos instrumentos. Tem carpete nas paredes e nenhuma janela. Na verdade, parece um hospício.

Sounds: A cena canadense sempre foi chegada em um barulho, certo? Temos vocês, Soupcans, Solids, Japandroids, e bandas mais velhas, como Fucked Up e Submission Hold. Quais bandas você nos recomenda?
Alex: Tem tantas bandas ótimas no Canadá nesse momento. Tem uma chamada S.H.I.T., de Toronto, que é incrível! Teenanger, Fresh Snow, Career Suicide, Viet Cong… a lista continua.

Sounds: Jesus Lizard, Shellac e Nation of Ulysses são frequentemente citados como influências do som de vocês. Concorda com isso? Quais outras bandas inspiram a música de vocês?
Alex: Somos fãs dessas bandas. Pessoalmente, não escuto a influência delas em nossa música, a não ser a agressividade pura. Acho que nossas músicas são bem diferentes. Somos influenciados por todos os tipos de música. A lista é interminável, e acho que tudo acaba se misturado e se transformando no METZ.

Sounds: Esse ano [2014] marca o 20º aniversário da morte do Kurt Cobain. Qual foi o papel do Nirvana na educação musical de vocês?
Alex: Nós três crescemos nos anos 90. Não gostava do Nirvana quando eram famosos. Eu curtia Minor Threat e Black Flag. Agora, quando escuto o Nirvana, consigo entender por que a banda foi tão influente. Realmente é algo incrível. Acho que, com a fama massiva, o som deles se transformou em um diagrama, ou um arquétipo para centenas de bandas. Tenho certeza de que o som do Nirvana se infiltrou em nossa música, mas não de uma forma consciente.

Sounds: Quais discos ou bandas da coleção pessoal de vocês destoam do som que fazem?
Alex: Eu coleciono álbuns de garage anos 60, psicodelia e hardcore dos anos 80. Na verdade, é muito raro eu ouvir músicas que soem como o METZ. Isso seria muito chato.

Sounds: Quais são as expectativas de vocês quanto a tocar no Brasil, um país com tradição em música agressiva, e também a terra natal do Sepultura? [entrevista feita em 2014, pré-show]
Alex: Estamos incrivelmente animados para tocar aí. É uma honra, e vamos dar o melhor de nós no show.

Sounds: Como vocês compõem as músicas? Alguém começa e os demais contribuem? Em quanto tempo vocês escrevem uma canção?
Alex: Varia bastante. Às vezes, começa com uma batida, ou um riff, e evolui a partir disso. Ultimamente, tenho composto bastante em casa e trazido essas ideias para os ensaios, para completer a música com o Hayden e o Chris. Praticamente metade das músicas do novo disco já está pronta.

Sounds: Como Graham Walsh e Alexandre Bonenfant contribuíram com o disco? O que eles acrescentaram ao som de vocês e como lidaram com o fato de ser produzidos?
Alex: Consideramos nosso disco como uma produção própria. Além de fazer a mixagem. Graham e Alex foram inestimáveis nos aspectos técnicos da gravação. Amamos experimentar no estúdio, e esses caras recomendavam câmaras de eco, técnicas de microfonia e equipamentos bizarros que nem sequer imaginávamos existir. Eles foram incríveis!

Confira aqui como foi ABSURDO o show que o Metz fez em São Paulo, no dia 15 de maio de 2014:

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