Handsome A banda de um só disco que marcou os anos 90

In Bandas, Discos

A década de 90 foi uma fase frutífera para o rock. Era muita banda surgindo e muita coisa boa. Algumas permaneceram por mais anos, outras, como o Handsome, duraram apenas um disco e deixaram muitas saudades.

Em São Paulo, o que hoje é classificado como post alguma coisa, nos anos 90 a gente costumava chamar de rock alternativo. Nesse pacote cabiam Fugazi, Pixies, Burning Airlines, Shudder To Think e algumas outras. No literal, essas bandas eram a nossa alternativa para algo novo. Elas vieram pavimentar uma nova rota para um rock que corria em velocidade desafiadora, por uma estrada sem limite de autenticidade.

HandsomeNa segunda metade da década, as rádios, que por aqui nunca foram lá essas coisas, estavam empanturradas de one hit wonders como Dishwalla, Gin Blossoms e os habituées Men At Work e Dire Straits. Não podemos esquecer que o pós-grunge do G.R.A.U.Y (Grêmio Recreativo Acadêmicos Unidos do Yarrrrrrrrrrling) que também vinha dando as caras em larga escala.

No meio desse furacão, um amigo me emprestou o CD do Handsome. Isso era por volta de 98 (o disco foi lançado em 97) e, junto com o CD veio a frase persuasiva: “Cara, você precisa ouvir isso aqui. É a banda de um dos caras do Quicksand”. Ok, esse argumento já era o suficiente. Nessa mesma época, o vinil já tinha morrido aqui pelas nossas terras, o que, de certa forma, é bom, porque eu escutei tanto que talvez teria furado o LP ou gastado a agulha. Sabe aquela mania de ler aquele bando de agradecimentos nos encartes dos discos? Então, nesse álbum, um dos agradecimentos era para o Deftones.

O Handsome tinha na sua formação os guitarristas Pete Mengede (Helmet) e Tom Capone (Quicksand), o baterista Pete Hines (Cro-Mags e Murphy’s Law), além do baixista Eddie Nappi e o vocalista Jeremy Chatelain. A música dos caras flutuava por ambientes também frequentado por alguns nomes bem queridos aqui do site como o Quicksand, Unsane, Seaweed e Helmet. É um disco repleto de riffs simples, bonitos, pesados e uma pitada ou outra da vibe hardcore. Veja bem, só a vibe. Não espere algo rápido porque não é o caso. Eles também fazem parte da turma que não tem medo de abusar das melodias dramáticas e de cantar sobre sentimentos cotidianos pertinente a todos.

Handsome - S/T (6131 Records)
Handsome – S/T (6131 Records)

“Needles” e “Ride Down” abrem o disco com capricho e são bem cativantes. “Going to Panic” é a terceira e ali, em meio a riffs e uma melodia linda, o jogo já estava ganho. Na sequência, “Left Of Heaven” mistura andamentos carismáticos com aqueles ruídos coadjuvantes patenteado por Page Hamilton, do Helmet. Daí pra frente o disco te prende cada vez mais em um passeio bem estruturado nos pilares já citados. “My Mind’s Eyes”, “Wating”, não tem como dizer qual o maior destaque. O Handsome é daquelas bandas que faz com que você tenha, de tempos em tempos, diferentes músicas entre suas preferidas.

O disco foi produzido pelo Terry Date (Pantera, White Zombie, Incubus, Soundgarden), o que tirava um pouco aquela “aura” 90 dos timbres. Na época, pelo o que se sabe, os caras abriram shows para o Descendents, fizeram uma turnê com Silverchair e até alguns shows com o Wu Tang Clan. Com certeza é um dos shows que a gente gostaria muito de ter visto.

Em 98 Tom Capone sai da banda e, ainda no mesmo ano, o Handsome encerra suas atividades deixando apenas esse grande disco para nós.

Já em 2013, a 6131 Records relançou essa beleza em vinil. No formado digital, talvez seja possível encontrar alguma cópia usada por aí em algum eBay ou mesmo na Amazon e na Discogs. E se vale o conselho, vá atrás da sua. Você não vai se arrepender.

Não resta muito o que dizer sobre essas cinco cabeças que um belo dia resolveram se juntar para expandir suas fronteiras líricas, musicais e testar seus limites criativos e emocionais dentro do seu universo criativo. Resta a nós, ouvir.