Neurosis Warsaw - Nova York - 9 de agosto de 2015

In Shows


Geralmente, quando uma coisa é muito preciosa, fica difícil colocar em palavras sem que cada letrinha não pareça injusta em relação à experiência que está sendo dividida com quem vai ler. Isso geralmente ocorre com tudo que envolve música. Talvez pela descarga de adrenalina gigante, ou a ansiedade de ver a banda de que você tanto gosta ou pela simples defasagem de neurônios que foram deixados pelo caminho durante os anos.

Neurosis, Warsaw, Nova York, 09 de Agosto. Lá estávamos nós para mais uma experiência de vida. Sim, um show do Neurosis não é só um show de uma das melhores bandas em atividade no universo; é sim uma experiência artística intensa e complexa.

Raiva, beleza, tensão, solidão, força, plenitude, caos, lirismo, força, aspereza, torpor, e por aí vai. Entendeu por que disse há pouco que a experiência é complexa? Em quase duas horas de show, você vai navegar por um buraco negro edificado em cima desses sentimentos em turbulência, como moléculas em constante atração.

O Warsaw é um lugar que podemos considerar de médio/ grande porte. Talvez próximo do nosso antigo Olympia. Teto alto, sistema de PA potentíssimo, palco numa altura e proporção consideradas boas, serviços honestos, bar separado da pista e bem servido; ou seja, tem o que um bom show precisa para ser um bom show.


Todas as luzes do lugar se apagam, palco totalmente escuro, apenas as luzes de emergência e do bar se mantiveram acesas. O breu cobriu de expectativa um Warsaw lotado por aproximadamente dois minutos. Os primeiros acordes de “A Sun That Never Sets” surgem em um horizonte ainda míope no emaranhado de emoções de um público que já se mostrava sedento desde as banda de aberturas (Sumac e Brothers of Sonic Cloth). Redundante dizer que é uma música linda, mas ao vivo fica ainda mais hipnótica. Veio “Locust Star”, e aí não tem como escapar. É um verdadeiro atropelo. Os guturais de Dave, baixista, estavam altos e isso deu um ar ainda mais catastrófico para o final da música.

A arrastadona “Distill (Watching the Swarm)” veio na sequência e “At the Well” foi responsável por um dos, dentre muitos, melhores momentos da noite. A música faz parte do último e décimo lançamento dos caras, Honour Found Decay, lançado em 2012.


No geral, o set list foi curto e transitou entre os discos Honor Found in Decay, Times of Grace, A Sun that Never Sets e Through Silver in Blood. Teve a clássica “Doorway”, a bela “My Heart For Deliverance” e “The Tide” que prepararam o terreno para o encerramento em altíssimo nível.

O chão se abriu em uma cratera imensa e a queda demorou exatamente o tempo de “Through Silver in Blood”. Que música! Ao vivo ela soa ainda mais poderosa e ameaçadora.

A impressão que se tem é de que os caras estão em plena forma e com muita vontade e lenha pra queimar por anos e anos.

Caberia mais uma boa dose de adjetivos para definir o que foi assistir a esse show em um lugar fechado. Mas ainda vai ser pouco. Um show desses entra para a sua história. Entrou para a minha. Ver o Neurosis ao vivo traz um entendimento melhor do que é estar vivo.


Setlist
A Sun That Never Sets
Locust Star
Distill (Watching the Swarm)
At the Well
The Doorway
My Heart For Deliverance
Times of Grace
The Tide
Through Silver in Blood