Descobertas de 2016 Juntamos algumas bandas que gostamos muito de conhecer

In Bandas, Discos, Especiais

Muitas e muitas vezes a gente escuta que “não tem acontecido nada de novo e legal na música”. Ou então “olha, faz tempo que não me empolgo com uma banda nova”. A gente tem uma boa notícia quanto a isso: tem coisa nova, tem coisa boa e o melhor, tem pra todos os gostos e ouvidos. “Ah, mas dá muito trabalho ir atrás, é muita banda nova, não tenho tempo”. Se fosse um off do Casseta & Planeta, a gente diria que seus problemas acabaram, mas a verdade é que seus problemas começaram. Mas relaxa, é aquele tipo de problema bom, que a gente adora causar e resolver porque envolve ouvir música. E mais! Você não vai ter trabalho nenhum porque durante tooooodo o ano de 2016, tudo o que a gente ouviu de bandas legais, a gente separou pra esse momento tão especial que começou no ano passado: nossa lista de descobertas do ano.

Muita gente faz a lista de melhores discos do ano (a gente também faz e gosta), mas todo ano a gente também monta uma lista de novas descobertas (olha aqui a de 2015). Nela, colocamos aquelas bandas novas ou nem tanto que descobrimos no ano corrente; no caso, nesse nosso confuso 2016.

Tem punk, pós punk, pop, math rock, post metal, post rock, hardcore, black metal, indie, folk e muito mais pra você se deliciar e ouvir com calma. E claro, pra parar e pensar que tem sim, muita coisa boa rolando e a gente entende que nem sempre todo mundo consegue ir atrás, parar e ouvir cada uma delas, mas é também pra isso que a gente tá aqui. Pra te ajudar e colocar você em contato com essas novas descobertas dentro desse troço tão rico que é a música. Divirta-se!

TUTTI I COLORI DEL BUIO
Para quem gosta de Negazione, Black Flag e Nails
tutti-i-colori-del-buio
O Tutti I Colori Del Buio vem de Turim, na Itália, e talvez seja uma das dicas mais legais desse ano. Direto e sem meias palavras. Bom, assim é o punk e assim ele deve manter sua essência, mas veja bem, só falamos da essência aqui porque o Tutti I Colori Del Buio vai um pouco além. Tem um blast beat aqui e ali e aquele toque de peso e distorção peculiar a bandas como Nails, por exemplo. É sombrio e sem esperança alguma. Se isso preenche suas exigências, vai na fé, a gente gostou bastante.

LIANNE LA HAVAS
Para quem gosta de Neneh Cherry, Feist, Corinne Bailey Rae
lianne-la-havas
Até então, o episódio do Jools Holland que a gente estava assistindo só trazia uma diva, a Feist, cantando e encantando as músicas do disco Metals (era um episódio de 2011). Aí, o Jools apresentou a Lianne La Havas, 21 anos, sozinha com sua guitarra. E aí, sozinha com sua guitarra e sua voz, tocando “No Room for Doubt”, ela pareceu ter trazido um exército. Quanta doçura, alma e força no mesmo timbre! E com umas harmonias incríveis na guitarra! O melhor é que nada ali encantava previsivelmente. Suas métricas e melodias pareciam ter vida própria e desregrada, a serviço de uma moça interessada em expandir a própria criatividade.

MUSEYROOM
Para quem gosta de Beatles, Radiohead, TV On the Radio
museyroomEssa molecada aprendeu bem a lição dos garotos de Liverpool. Algumas referências ao Sgt. Pepper’s são bem claras. Por outro lado, dá a impressão de que a recente Nova Iorque também colocou seus dedinhos no som do trio. São camadas de andamentos quebrados e melodias que remetem a Beatles mas parecem ainda buscar a criação de uma carinha para o som do Museyroom. Esse ano eles lançaram Pearly Whites, mas se você tiver que escolher um dos discos para ouvir a banda pela primeira vez, comece pelo EP, lançado em 2009.

STORM OF SEDITION
Para quem gosta de Amebix, Iskra e Winds of Genocide
stormofsedition
Do it yourself anti-civilization, anarchist, crust punk. No Bandcamp a definição é essa. Feita pela própria banda, claro. Talvez isso envolva mais a linha de pensamento e posicionamento do Storm of Sedition. Na música, pode esperar passagens rápidas, vocais gritados, riffs rápidos e alguns blast beats. Nada de novo, a gente sabe, mas tem energia e o resultado é um atropelo. Decivilize saiu esse ano e vale a pena ouvir, caso você esteja procurando por barulho.



GREYS
Para quem gosta de: Cloud Nothings, Unwound e Sonic Youth
greys
Como diversas e diversas bandas formadas por jovens que são resultados da geração do rock alternativo dos anos 90, o Greys dava pinta de navegar em diferentes praias e trazer na bagagem algumas referências que dificultam um pouco a sua classificação. Mas dá pra chamar de noise rock com alguns experimentalismos aqui e ali. No disco de 2014, o If Anything, eles abriam com uma música chamada Guy Picciotto. Dá pra ver que boas referências não faltam e elas condizem com o som dos caras, que é bem barulhento em alguns momentos e calmo em outros. Tudo de acordo com a lição aprendida pela geração dos 90 que citamos ali no início. Outer Heaven é o disco lançado em 2016 e é beeeem legal. Daqueles cheio de hits possíveis, empolgantes e bem estruturados. Pode ir sem medo. É rock barulhento e cheio de melodias bem cuidadas.

G.L.O.S.S
Para quem gosta de GBH, Minor Threat, Discharge
G.L.O.S.S
Músicas curtas, raivosas e de uma honestidade contagiante. Detalhes que brotam de quem canta realmente o que sente na pele. O G.L.O.S.S, ou Girls Living Outside Society’s Shit, é uma banda que veio de Olympia, Washington, e que em 2016 lançou um EP intitulado Trans Day of Revenge. O disco saiu um dia depois do tiroteio em uma boate gay que matou 49 pessoas e feriu 53, em Orlando. A raiva é palpável e o discurso é de grande importância ontem, hoje e amanhã. Isso talvez faça desse álbum um marco na luta e apoio aos desfavorecidos que vivem às margens. O disco traduz tudo isso e mesmo durando pouco, o G.L.O.S.S deixou sua mensagem: “Trans day of revenge / Not as weak as we seem”.



ULTHA
Para quem gosta de Wolves in the Throne Room, Deathspell Omega e Sun Worship
ultha
Não conhecemos o Ultha nesse ano de 2016. A primeira vez que ouvimos foi no disco do ano passado, o Pain Cleanses Every Doubt. Em comparação, Converging Sins é mais maduro, mais seguro e mais focado. As ambiências na medida fazem as partes mais caóticas soarem ainda mais caóticas. O disco todo merece sua atenção, mas ouça com cuidado “The Night Took Her Right Before My Eyes” e “Mirrors In A Black Room”. É uma banda que não pegou looogo de cara. Se isso também acontecer com você, insista. Vale muito a pena.

DIRTY NIL
Para quem gosta de No Age, Japandroids e Pavement
dirtynil
Canadá, amigos. É importantíssimo quebrar esse barreira de que os grandes cenários vêm dos Estados Unidos ou da Europa. Nananinanão. O Dirty Nil vem do Canadá, mesma origem de bandas bem barulhentas como o Metz e o Fucked Up. O último disco dos caras, Higher Power, lançado em 2016, tem toda qualidade e energia dos seus conterrâneos. Um pouco menos barulhento, é verdade, mas com a mesma explosão. Higher Power entrou em algumas listas de melhores álbuns do ano. Pra gente não é pra tanto, mas que o disco é bom, ah, isso é.

MARTRÖÐ
Para quem gosta de Deathspell Omega, Aosoth e Blut Aus Nord
maritod
O Martröð é mais um nome da frutífera safra de black metal da Islândia e com certeza uma das melhores novidades do ano. Transmutation of Wounds explora andamentos quebrados e camadas e mais camadas de um clima frio e sombrio, daqueles de doer no osso. Pelos nomes envolvidos no projeto/banda já dá pra ter uma ideia do terrorismo sonoro que os caras propõem: MkM (vocal Aosoth, Antaeus), Esoterica (guitarra – Krieg, Chaos Moon), H.V Lyngdal (guitarra – Wormlust), Wrest (guitarra – Leviathan), D.G. (baixo, vocal – Misþyrming) e Thorns (bateria – Acherontas, Blut Aus Nord). Não precisamos falar mais nada, né?

BASALT
Para quem gosta de Buzzoven, Grief, Celtic Frost
basalt
O verbete denso tá até agora tentando entender o motivo da sua explicação gramatical não ser o Basalt. A banda é relativamente nova, mas as cabeças que atendem pelas composições já são figurinhas conhecidas pelo underground do nosso Brasil. Doom, sludge e a aura do atual black metal em alguns detalhes são parte da atmosfera que os caras procuram criar. E funciona muito bem! Curiosidade: uma referência gratificante que sentimos por aqui está nos vocais que com certeza vai fazer você embarcar para dias saudosos entre os anos 91 e 94. Uma época marcada por grandes discos de bandas brasileiras. Entre eles, The Laws of Sourge (principalmente em “Midnight Queen”) e Hate, do Sarcófago.

WHITE LUNG
Para quem gosta de: Male Bonding, No Age, Johnny Foreigner
white-lung
É complicado categorizar o White Lung em um gênero porque quando se começa a ter uma impressão hardcore, as coisas ficam meio alternativo anos 90, de repente dão um salto para o pós-hc-melódico (???) de 2003 em diante e você consegue visualizar a banda tanto em uma Vans Warped Tour quanto em um showcase para poucos da Pitchfork. O fato é que o trio (agora quarteto) canadense entrega uma energia bastante contagiante, tanto melódica quanto percussiva. O vocal de Mish Way-Barber às vezes parece enjoativo demais, mas os arranjos dão uma boa bagunçada no pote de açúcar.

MAIS VALIA
Para quem gosta de: Earth, Sleep e Ufomammut
mais-valia
Peso, peso e um pouco mais de peso. Riffs, riffs e um pouco mais de riffs. O Mais Valia teve grande destaque nesse ano de 2016 e não foi por falta de merecimento ou de, digamos, barulho. Mesopotamia é o nome do EP que o trio vindo de Jaú, interior de São Paulo, deixou de registro nesse ano. Incômodo, o som dos caras é como um constante alerta por algo que está prestes a acontecer.



THE BUFFALO GRASS BOYS
Para quem gosta de Mumford and Sons, Loudon Wainwright III, Dr. Dog
buffalo_grass_boys
Da mistura de country, folk, rock e bluegrass nasceu o Bufallo Grass Boys que vem lá da Austrália e fez a gente bater os pezinhos na primeira música, empurrar as cadeiras da sala na segunda, sair cantando já na terceira e dançando na quarta. “Get Better Soon” é a música que abre o EP dos caras. É uma delícia e virou nossa predileta por aqui. Apesar do EP ser de 2015 a gente quis colocar eles por aqui porque é quase impossível passar ileso ao groove dos caras. Atualmente eles estão em estúdio preparando um novo disco, mas enquanto isso não acontece, aumente o som, afaste os móveis e dance sem medo.

HESITATION WOUNDS
Para quem gosta de Fucked Up, Converge e Violent Sons
hesitation wounds
Aí você junta o vocal do Touché Amoré, Jeremy Bolm, com o guitarrista Neeraj Kane, conhecido por tocar também no The Hope Conspiracy, o baixista Stephen LaCour, do Trap Them, e o baterista Jay Weinberg, que hoje é o baterista do Slipknot e o resultado é o Hesitation Wounds. O som dos caras está ali entre o hardcore e o metalcore. Esse ano eles lançaram Awake For Everything, mas como dica, a gente diria pra você ouvir primeiro o EP lançado no ano passado. É forte, intenso e urgente.



BHOOT
Para quem gosta de Kylesa, Inter Arma e Kyuss
boothTem algo de vagaroso no som dos caras que a princípio não diz muita coisa mas faz você querer pagar pra ver onde vai dar. Se isso te pareceu negativo, esqueça. A música do Bhoot consegue te prender em um universo sem muitas referências diretas ou gritantes cópias. Também não espere algo novo, até porque Black Sabbath já inventou tudo, mas vá de peito aberto. O som dos caras tem um certo frescor,  instrumental honesto e livre do limite que algumas tags costumam criar. O Bhoot é inclusivo e você logo vai se sentir parte da viagem dos caras.

MUSTARD GAS AND ROSES
Para quem gosta de Isis, Russian Circles e Neurosis
mustard gas and roses
Mike Gallagher passou pelo Isis, mas a gente não sabe por qual razão ou motivo ele nunca foi a peça em destaque ali. Mas passado um tempo, Gallagher resolveu colocar em prática as ideias que não tinham muito espaço no Isis. A coisa tomou forma e esse ano Becoming chegou chegando. O disco tem uma captação e mix incríveis e composições que só comprovam que nem sempre o destaque vai pra quem realmente merece. Há muito mais por trás e quando a gente tem contato com isso quase sempre é algo bem gratificante.

ACruz SESPER
Para quem gosta de Sebadoh, Thurston Moore e The Saints
sesperAlém do Garage Fuzz – um dos nomes mais importantes do hardcore nacional – Sesper também dá voz, compõe e toca guitarra no incrível The Pessimists. Mas isso não parece ser o bastante e ele também vem soltando algumas gravações sob o nome de ACruz Sesper. A mais recente delas é o disco intitulado Not Count For Spit, que navega com conhecimento pelo garage rock, punk lo-fi e pós punk sem nenhuma dificuldade de juntar esses três universos. Dá pra ver as boas referências já conhecidas em algumas músicas, mas tudo se equilibra com um jeito apresentar essas canções sem muito filtro, de forma pura. Um caminho que ele mesmo deve estar procurando para dar ainda mais identidade à essas composições. Nossa impressão é que ele pegou a estrada certa.



INSANITAH
Para quem gosta de Death, Sadus e Kreator
insanitah
Em uma determinada época os termos usados para identificar uma banda eram bem coerentes e mais assertivos. Dentro deles, death thrash era usado para bandas rápidas, técnicas e com temáticas mais cotidianas. O Sadus sempre foi a maior referência no meio e é interessante ver que algumas bandas por aqui se mantém fiéis a esse estilo. O Insanitah vem de São Paulo e tem tudo o que você pode esperar de uma banda de death thrash. Em 2016 eles lançaram o EP The Mechanism of Forgotten Ages, um grande demonstrativo de que o Brasil tem sua força dentro de um estilo adorado pelos fãs da música extrema.

CAR SEAT HEADREST
Para quem gosta de Ben Kweller, Superchunk, Weezer
car seat headrest
A história do Car Seat Headrest diz muito sobre como é possível atualizar aquele sentimento de uma banda crescer a partir do boca a boca feito por seus admiradores. No caso do americano Will Toledo, em vez de demos e flyers, a divulgação foi em comentários em fóruns de internet e lançamentos via Bandcamp. Teens of Denial, disco deste ano, saiu pela Matador porque finalmente viram seu talento. Agora com uma banda, Toledo reaviva o entusiasmo juvenil dos primeiros discos do Superchunk – especialmente o On the Mouth – e remete à energia de Ben Kweller (tanto no Radish quanto no disco Sha Sha). É um disco pra cima, mesmo quando assume seu lado melancólico. Nesse ponto, tem até referência a Dido, aquela loirinha de voz doce que cantava com o Eminem.

LUBBERT DAS
Para quem gosta de Profanatica, Hellhammer, Von
lubbertdas
Black metal holandês puro e brutal. O Lubbert Das traz aquela aura gélida do já tradicional black metal nórdico com aquela captação de vocal estourado que lembra os primeiros registros do Profanatica. A demo, lançada em 2013, já dava indícios de que era um nome a se prestar bastante atenção e no novo disco, Deluge (2015), isso ficou comprovado. É escuridão total, riffs melódicos, espaçados e indicado para quem já tem familiaridade e boa convivência com o black metal.



MOYMONDO
Para quem gosta de Voivod, Twisted Sister, Metallica
moymondo
O Moymondo é um duo formado por dois caras que já passaram por bandas seminais da cena paulista dos anos 80 e 90: Apoleon e Pig Machine. O som dos caras não é tão fácil. Não é metal tradicional, não é post alguma coisa e também não cai pro lado do crossover ou punk/hardcore. Mas dá pra dizer que o Moymondo é tudo isso sem dever qualquer satisfação a cena alguma. O que eles fazem é só deles. Honesto, doido e uma celebração à história vivida por cada um. “Saputanás” já é um hit.

BIG UPS
Para quem gosta de Soupcans, Metz, NirvanaBig upsBanda bem interessante vinda do Brooklin (EUA) que chegou até a gente por indicação do Elson, um dos idealizadores do selo Sinewave. Por alguns momentos poderíamos dizer que é puro noise rock. As microfonias estão lá, o baixo pesadão e um pouco de quebra no andamento. Por outro lado, estariam mais perto do post-hardcore determinado pelos gritos e passagens enérgicas sem muita enrolação. Dadas as circunstâncias, resolvemos não classificar e deixar pra você conhecer e tirar suas próprias conclusões. O último disco dos caras, Before a Million Universes (2016), é forte, contagiante e soa mais maturado que os anteriores. Espere boas doses de caos, alguma pincelada de calmaria mais melódica e muita explosão. Grande descoberta. Valeu Elson!

TURIA
Para quem gosta de Lubbert Das, Profanatica, Blasphemy
turia
O disco chama Dor, mas a banda vem da Holanda e mesmo não sabendo se isso tem alguma relação com a nossa língua, eles acertaram. É um eterno lamento seco, ríspido e desesperador. Com riffs quase sempre em looping, qualquer variante chega quase a causar alívio de tão desesperador que é aquele mesmo riff se repetindo hipnoticamente. Tem uma aura triste por vezes, mas nada que descambe para a melancolia. A banda soltou um single no início de dezembro, o que indica que vem disco novo por aí no ano que vem. A força do Turia é o passeio por toda a dor que o lamento da vida pode provocar e é por aí mesmo que eles devem ficar.



PERFECT PUSSY
Para quem gosta de Joanna Gruesome, Sleater-Kinney, The Pessimists
perfect-pussyCapitaneado por Meredith Graves, o Perfect Pussy é tão desafiador quanto lo-fi, no sentido de não ficar esperando estrutura ou portas abertas para se manifestar. Aqui a expressão musical chega na voadora, sem polimento ou vergonha de sua aspereza sonora (leia-se gravações quase que cruas). A banda surgiu informalmente, para o filme Adult World, e acabou seguindo em frente, para nossa alegria.

KEVIN DEVINE
Para quem gosta de American Football, Death Cab for Cutie, Nada Surf
kevin-devine
A analogia é bem exagerada, mas o Kevin Devine lembra o Bené, de Cidade de Deus: o cara é entrosado com deus e o mundo, sem preconceitos. Ele resolveu fazer uns splits e acabou reunindo Mathew Caws (Nada Surf), Meredith Graves (do Perfect Pussy, que a gente falou ali em cima), Cymbals Eat Guitars e o Mike Kinsella (Owen/American Football) num disco que alegra tanto os emos eternos quanto aqueles que ficaram com vergoinha e se acomodaram com a alcunha de indies (do tipo Seth Cohen, Rivers Cuomo e demais gangues do suéter natalino).

TENEMENT
Para quem gosta de Hüsker Dü, Menomena, Built to Spill
tenement
O Tenement não é uma banda nova, mas pra gente nasceu nesse ano. E que nascimento! Tem jeitão de primavera, colorida, nem tão quente, nem tão introspectiva. Os humores passeiam com facilidade do eufórico para o melancólico, mas sem parecer brusco. É um baita fôlego criativo ao encontro entre o indie 2000 e suas heranças do hardcore. Outro sinal de que esse trio transita muito bem por qualquer circuito é que eles já saíram em turnê ao lado do Coke Bust – umas das mais proeminentes bandas do novo hardcore de DC – e também abriram shows do Charles Bradley. Ao ouvi-los, você lembra tanto Hüsker Dü quanto do Sondre Lerche ou do Eugene Quell. E conhecendo mais a banda, você deixa estas referências para trás, sem qualquer prejuízo.

NAVESHARRIS
Para quem gosta de Bon Iver, Kings of Convenience, Feist
navesharis1
O NavesHarris é uma soma de talentos: da compositora Britt Harris e do músico Jair Naves, velho conhecido do independente brasileiro por sua carreira solo e pelo Ludovic. É uma produção em casal, e as músicas saem como consequência natural da intimidade entre eles, sem maquiagem ou intenções de grandeza. Duas vozes entrelaçadas com sutileza. Assim, na despretensão, conquistam de mansinho e vão se instalando na memória de quem ouve, crescendo sem pressa ou afobação, assim como as melodias deste belo trabalho folk.

MEAT WAVE
Para quem gosta de Naked Raygun, Shellac, METZ
meat wound
O Meat Wave é um trio de Chicago e fez efeito antes do primeiro minuto da música “The Incessant”, lançada este ano. Seu misto de pós punk com punk rock e letra de comentário crítico sobre nossas neuroses foi certeiro como um golpe, com perturbação similar às pancadas sonoras altamente enérgicas do Naked Raygun. Na música em questão, a impressão que dá é de um cotidiano repetitivo e maçante, que de tanta compressão só encontra sentido quando vaza – e aí, distorções na guitarra dão uma boa ideia. Ano que vem tem disco novo e a ansiedade aqui é grande.

DANNY BROWN
Para quem gosta de Kendrick Lamar, Oddisee, KRS-One
dannybrown
2016 foi um grande ano para o Danny Brown, que soltou o ótimo disco Atrocity Exhibition e confirmou o hype que já vinham fazendo dele nos anos anteriores. Ele, o P.O.S. e o Clipping são nomes que têm expandido os limites já quase inexistentes do hip hop, com flertes bastante assumidos com o experimental e a eletrônica. As letras remetem aos demônios pessoais dele e sua voz é bastante estridente e faz lembrar a de Ad Rock, do Beastie Boys. Não há absolutamente nada errado com isso e só demonstra o quanto o o Danny Brown é um cara único na música atual.