Entrevista: Mike e Tim Kinsella Cap’n Jazz, American Football, Owen, Owls, Joan of Arc, Their/They're/There

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De 1989 para cá, o mundo viveu várias guerras, alguns países se separaram, líderes globais morreram, novas doenças surgiram e uma longa coleção de desprazeres ocupou a memória coletiva. E eis que, em 2015, os conflitos e as angústias íntimas e particulares de um certo grupo de pessoas, mais especificamente de Chicago, continuam a inspirar outros jovens de gerações mais novas. Aquele foi o ano em que os irmãos Tim e Mike Kinsella, hoje com 40 e 38 anos, respectivamente, fizeram de sua garagem a sede do Cap’n Jazz, banda que conceitua músicas que tenham uma base rítmica extremamente quebrada e interpelada por berros emotivos.

Seja pelo emo, pelo do it yourself ou pela música alternativa americana, o fato é que os irmãos são lembrados com recorrência por gravadoras, bandas e públicos atuais. O arrojo juvenil que eles despejaram em canções do começo da década de 90 hoje é citado como combustível de uma sonoridade honesta, sem pós-produção e declaradamente irracional. Mais velhos, com mais compromissos e com outros desafios, o Mike e o Tim de hoje transitam por novos modelos de sonoridade, não fogem de perguntas relacionadas ao revival do emo e mantêm laços que já duram décadas, como o relacionamento com a gravadora Polyvinyl. Nessa entrevista exclusiva, ambos demonstram que a messy life de outrora parece ser cantiga do passado, mas a proatividade que os caracterizou na adolescência continua sendo o norte da vida adulta. Mike e Tim falam abertamente sobre todos os assuntos, inclusive a depressão de Tim, e atiçam nossa esperança de vê-los juntos, aqui no Brasil.

Sounds Like Us: Oi, Mike, oi, Tim. É um prazer entrevistá-los. Como estão e onde vivem agora?
Mike Kinsella: Oi, Amanda. Estou bem. Moro em Chicago, no bairro de Roscoe Village, com várias pessoas empurrando carrinhos e passeando com os cachorros.
Tim Kinsella: Estou muito bem hoje, obrigado. Comi meu burrito favorito, escalei algumas ruínas e foi ótimo ficar fora. Moro em cima do meu querido Rainbo Club, em Chicago.

Sounds: Onde vocês cresceram e como era o relacionamento de vocês? O que aprenderam um com o outro?
Mike: Nós crescemos em Buffalo Grove, Illinois, a uns 45 minutos da cidade. Acho que nosso relacionamento era… bom? Normal? A gente meio que brigava, como é comum entre irmãos, e provavelmente era irritante para Tim ter o irmão mais novo o seguindo o tempo todo, já que ficamos mais velhos e passamos a tocar juntos. Mas amadurecemos e passamos a aceitar nossas diferenças e a buscar maneiras de trabalhar juntos apesar delas. Aprendi com o Tim a valorizar o esforço de fazer música, e que a solução mais fácil geralmente é a menos legal ou recompensadora.
Tim: Nossa relação foi sempre muito boa, com a exceção de que um de nós precisava ser o irmão mais velho e o outro, o caçula, então aquele conflito de ego típico entre irmãos apareceu de várias maneiras. Mike me ensinou o karma de ser o irmão mais velho, e eu o ensinei o karma de ser o mais novo.

Sounds: Ainda que as pessoas costumem se referir a vocês dois como uma “entidade musical”, quais são suas particularidades?
Tim: Mike é muito mais confiante e decidido que eu – eu tendo a ficar paralisado ao analisar demais as coisas. Ele faz as coisas muito mais rapidamente e com mais eficiência que eu. Eu busco a melhor e mais demorada forma para lidar com qualquer situação.
Mike: Hmmm… musicalmente, talvez eu seja mais técnico e Tim, mais teórico?

Sounds: Antes de começar o Cap’n Jazz, vocês se imaginavam em um palco, tocando determinados instrumentos e possuindo uma certa sonoridade?
Mike: Ha. Na verdade, não. Temos feito música desde que éramos moleques, mas não creio que tenhamos nascido “músicos” ou algo parecido.
Tim: Sim! Definitivamente! Acredito que o Pensamento é um resultado da Ação em praticamente todos os cenários, mesmo quando a coisa acontece tão rapidamente que parece um reflexo. Eu acho que é por isso que o sexo é tão satisfatório e excitante – a Ação sucede o Pensamento.

Sounds: Enquanto vocês tocavam no Cap’n Jazz, quais outras atividades preenchiam a rotina de vocês?
Tim: Escola, trabalho na gravadora, depois na biblioteca, no estacionamento e posteriormente no depósito, fumando em bongs e andando de skate, lendo livros e experimentando sexo.
Mike: Nós dois estávamos no colegial, então fazíamos coisas normais dessa época – jogar bagels nos machões, ficar com garotas, invadir piscinas.

Sounds: A banda mudou vocês, pessoalmente falando, já que eram tão novos? Pode nos dizer como?
Mike: Acho que o Cap’n Jazz me influenciou mais do que qualquer outra coisa ou pessoa que não seja minha mãe. Aqueles eram anos da minha formação; portanto, viajar, tocar e encontrar estranhos em cidades estranhas reafirmaram totalmente a ética punk/do it yourself que guiava meu irmão (e consequentemente, eu). E esses valores ficaram comigo por boa parte da vida (pelo tanto que posso cultivá-los agora, já que sou um adulto com filhos para cuidar…).
Tim: Provavelmente, foi muito poderoso percebermos que podíamos fazer o que desejávamos e a energia que projetávamos para fora se tornava recíproca ou, pelo menos, era recebida por alguém.

Sounds: Se não fosse a música, o que você escolheria para se expressar?
Mike: Cozinhar! Sempre quis frequentar uma escola de culinária.
Tim: Mágica.

Sounds: Vocês tinham conhecimento de que o Cap’n Jazz e o American Football estivessem inspirando várias bandas e fossem consideradas pontos de partida para o que seria chamado de “emo revival”? Vocês acreditam nesse tal revival? Estaríamos vivendo isso agora?
Tim: Acho que qualquer tipo de revival emo é estúpido e seria melhor se as pessoas investissem no presente. Já é difícil o suficiente capturar um sentimento – agora, capturar a maneira como você imagina que uma pessoa sentiu lá no passado?!?! Isso é um nível baixo para se aplicar a si mesmo.
Mike: Ha. A julgar pela quantidade de artigos sobre isso, devemos estar no meio desse revival. E sim, comecei a reparar que algumas das bandas com as quais eu estava tocando soavam muito como as bandas que eu tive no passado, mas eu só fui saber que essas novas bandas ficaram muito populares quando reunimos as antigas. Devo dizer que, em todas as minhas velhas bandas, estávamos tentando soar como quaisquer outros grupos que ouvíamos na época, então não estou dizendo que estávamos pavimentando novas estradas ou algo parecido (se fizemos isso, foi acidentalmente…).

Sounds: As resenhas comumente usam rótulos para descrever sonoridades. Qual seria a tag para o som que vocês fazem?
Mike: Owen? Ah… Folk Metal Belo, Quieto e Esquisito.
Tim: Tragicômica atmosfera baseada no tempo.

Sounds: As canções do Cap’n Jazz foram documentadas em uma maneira fresca, genuína e sem polimento no que se refere aos vocais e aos arranjos, e sabemos que a música atual pode ser superproduzida em nome da “qualidade”. Por que vocês escolheram tocar e gravar as faixas daquela forma e o quanto disso foi espontâneo?
Mike: Acho que nunca tivemos bons equipamentos no Cap’n Jazz e queríamos tocar alto e rápido para competir com os berros do Tim.
Tim: Não foi uma escolha – a gente simplesmente tocava com o máximo do nosso empenho. As pessoas respondem positivamente ao som de quem tenta romper os limites de sua própria capacidade.

Sounds: “Tokyo”, “Ooh Do I Love You” e “Hey Ma” são descritas como “não finalizadas” no Analphabetapolothology. O que faltava nelas e por que escolheram lançá-las mesmo assim?
Mike: Não sei direito o que falta nelas. Provavelmente teríamos arranjos melhores se as gravássemos apropriadamente, mas elas acabaram funcionando na versão rascunho mesmo.
Tim: É que elas nunca foram gravadas em estúdios apropriados.

Sounds: Qual é a reação mais comum de vocês ao ouvirem aquelas músicas hoje em dia? Vocês se veem no passado ou é possível relacionar aquelas canções às rotinas atuais de vocês?
Mike: Dá uma sensação de que foi tudo parte de um filme a que assisti muito tempo atrás e que agora existe como cenas e fragmentos na minha cabeça. Há um espírito jovem nelas que acho difícil ser relacionado com o tempo atual.
Tim: Eu não poderia dizer porque eu nunca as ouço. Não por alguma razão particular a não ser o fato de que não me interesso. Imagino que elas fossem soar ruins e embaraçosas pra mim, mas tenho muita coisa a fazer todos os dias para testar e ver se isso é verdade. É bem improvável que eu possa me tornar um fã de Cap’n Jazz.

Sounds: Vocês se lembram de como tocá-las? Como se sentem quando estão tocando com as outras bandas e o público pede as músicas do Cap’n Jazz?
Mike: Relembramos as músicas uns anos atrás, para alguns shows de reunião, e foi muito desafiador fisicamente para mim, no sentido de que estou mais velho. Eu literalmente precisei entrar em uma academia e ficar em forma porque não conseguia acompanhar as músicas.
Tim: Não, e não me sinto bem quando elas são pedidas.

Sounds: Na opinião de vocês, o que o Cap’n Jazz, o American Football e o Owls tinham que se tornaram tão idolatrados?
Mike: Ha. Acho que as pessoas da cena indie/punk/qualquer coisa apreciam a honestidade na música. Por exemplo, tocamos a música que sai de nós, em vez de tentar modificá-la (ou produzi-la) para as massas, e acho que o público, consciente ou inconscientemente, valoriza isso. E acho que também por causa de alguns nerds do math-rock que gostam de desvendar as partes “matemáticas”.
Tim: Eu não poderia dizer. Não vivi essa experiência de elas serem adoradas. Não é algo que meus amigos ou companheiros tenham conversado comigo sobre. Um garoto da Flórida estava esperando por mim na porta da minha casa na semana passada [isso foi em julho] para me contar que eu sou o herói dele. Aquilo foi estranho. Ele era bem novo e não sei como descobriu onde eu vivia. E ele não me explicou porque ele se sentia daquela maneira. Eu o convidei para entrar e ficamos uns 30 segundos na minha cozinha, até eu dizer “talvez seja melhor você ir embora, cara”. Foi muito esquisito. Ele tinha a aparência de quem ainda nem tinha entrado na puberdade – até aparelho nos dentes ele tinha! Mas era um cara legal. Dei-lhe alguns pôsters e o que mais tinha por perto.

Sounds: Qual foi o menor público para o qual vocês tocaram? Como se sentiram?
Mike: Eu toquei em locais completamente vazios e isso fez com que eu questionasse minha existência física e espiritual. Também toquei shows horrorosos para públicos maiores, e isso provocou o mesmo efeito.
Tim: O Joan of Arc tocou para ninguém em Missoula, Montana, no ano passado, e para 12 pessoas em Michigan. Parece que se está perdendo tempo, mas é necessário, caso você esteja dirigindo para algum outro lugar. Uma vez, toquei um set para uma mulher de 95 anos que estava no leito de morte, prestes a morrer – só eu e ela. Essa foi uma das maiores experiências da minha vida. Ela adorou a apresentação e morreu algumas semanas depois.

Sounds: Às vezes vejo músicos tentando se relacionar uns com os outros para fazer uma espécie de lista de contatos para propósitos profissionais. Você acha que essa é uma boa estratégia para ter público nos shows e ouvintes para os discos?
Mike: Não sei se é uma tentativa ou se é uma camaradagem natural entre as pessoas que fazem essencialmente a mesma coisa para viver.
Tim: Eu acho que sim, é uma boa estratégia. Desde que o MySpace caiu em desuso, a interação humana parece ser uma boa ideia.

Sounds: Qual foi o papel da família de vocês no seu interesse por música?
Mike: Minha mãe é bem musical, então crescemos com um piano em casa. E, claro, Tim é responsável pela maior parte da minha exploração musical de quando eu era criança, então isso é bem significativo.
Tim: O Mike e o Nate são grandes músicos! O resto da família não influenciou muito. Começamos a tocar e nos interessamos por música quando éramos muito novos, mas não fomos criados para ser músicos.

Sounds: Alguma vez vocês sentiram necessidade de romper com o Cap’n Jazz para seguir em frente com novos projetos e serem reconhecidos por eles?
Tim: Hm, você sabe que o Cap’n Jazz acabou há 19 anos, certo? Então, sim, definitivamente sentimos a necessidade de nos distanciarmos da banda.
Mike: Acho que acabei rompendo ao fazer uma música radicalmente diferente do Cap’n Jazz nos últimos 20 anos. Não é algo que tenha sido intencional, mas acabou acontecendo.


Sounds: O que vocês costumavam ouvir na adolescência? Costumava comprar fita K7 e vinil?

Mike: Sim, vinil e K7s no começo, e CDs depois, Minha primeira banda favorita foi o KISS. Os favoritos da vida toda são Dinosaur Jr, My Bloody Valentine, The Sundays, Superchunk…
Tim: Discos e K7s de punk e metal.

Sounds: Vocês têm ouvido bandas novas?
Mike: Não costumo acompanhar novas bandas, mas não consigo parar de ouvir o Chvrches! Sou maluco pela voz dela [Lauren Mayberry]. E tem uma banda de Chicago chamada New Canyons, que eu amo.
Tim: Gosto bastante do Future Islands. Não presto muita atenção nas bandas novas, com exceção de quando são de amigos. Curto Arnold Dreyblatt e Lungfish e Can e Bauhaus e Bad Brains. Ainda hoje estou aprendendo a ouvir essas bandas! Posso ouvir um novo disco por ano, mas a audição me consome muito, então eu preciso escutar um álbum diversas vezes antes de achar que entendi o que ouvi. É por isso que tenho dificuldade em ouvir novas bandas.

Sounds: Vocês mantiveram uma relação duradoura com a Polyvinyl. Como os conheceram e por que decidiram continuar com eles?
Mike: Eles eram apenas um casal de uma cidade pequena lançando 7 polegadas de bandas locais e depois saindo com toda a galera fora dos shows, ao longo dos anos. Eles se ofereceram para lançar as coisas do American Football e, nesses 15 anos, nunca me deram um motivo para deixá-los! São as melhores pessoas/gravadoras.
Tim: Eles são ótimos! Me sinto abençoado e honrado de trabalhar com eles!

Sounds: Em que medida a música de vocês permitiu que realizassem sonhos e lidassem com sentimentos desagradáveis? Houve uma fase de dificuldade para fazê-la, ou alguém na indústria musical que tenha desapontado vocês? E após tantos anos envolvidos em tantas bandas, o que fez com que continuassem?
Mike: A música me fez conhecer tantas pessoas extraordinárias, e me levou a tantos lugares incríveis que isso basta para eu continuar trabalhando com isso. Às vezes, é um desafio compor (por não estar inspirado, por ter pouco tempo para isso no dia a dia…), mas ainda fico empolgado quando um verso ou uma melodia aparecem. Nunca pretendi “estourar” ou algo parecido, então nunca houve uma frustração muito grande. Me sinto sortudo por ter alguém interessado em ouvir criticamente os álbuns e/ou assistir aos shows.
Tim: Cara, viver é duro, sabia? Quero dizer, todos os dias acontecem coisa muito divertidas, mas também tem muita coisa triste. Mas, na maior parte do tempo – isso se pudermos aprofundar o sentimento – as coisas tristes também podem ser divertidas e vice-versa, então que escolha temos a não ser continuar? Você põe um pé à frente do outro, todos os dias. Você pode dirigir de Boston a San Diego e enxergar apenas aquilo que for iluminado pelos faróis do carro. Você não enxerga nada além disso, mas continua acelerando. Merdas acontecem e é difícil viver alguns vezes, mas também tem luz. Graças a Deus temos os dois!


Sounds: Hoje em dia, sua música é muito aclamada por crítica e público em várias partes do mundo. Mas imagino que tenha havido algumas exceções. Como lidaram com resenhas desfavoráveis? Sentiram vontade de respondê-las ou de se justificar?

Tim: !!!!!!!!!!Hahahahahahahahahahahahahaahahahahahahah!!!!!!!! Ai meu Deus, é incrível ser questionado sobre isso! Geralmente, me perguntam como é ter tanta resenha negativa! Acontece o seguinte: e se você conseguir fazer exatamente aquilo a que você se propôs, mas é algo que não é popular com as pessoas que escrevem resenhas? Os críticos te acusam de fazer aquilo que você queria!
Mike: Estaria mentindo se eu dissesse que não me importo com resenhas negativas, mas nunca me importei o suficiente para tentar convencer alguém a gostar da minha música. Isso soa meio patético, concorda? Seria ótimo se todo mundo curtisse, e muito bom se as pessoas que não apreciassem não demonstrassem isso publicamente, mas no fim das contas, faço música para mim e tenho mais dificuldade em lidar com o que considero deficiências da música do que com o que os outros pensam.

Sounds: Uma situação hipotética: se precisassem ficar em completo silêncio por um dia, de qual música vocês sentiriam falta?
Mike: “Beauty and the Beat”, do Justin Bieber.
Tim: Ah, eu costumo passar pelo menos uma semana sem ouvir música, a não ser quando escuto durante a ultrapassagem de um carro. Quero dizer, sei que essa frase vai soar estranha, mas dane-se, é a verdade: eu passo a maior parte dos meus dias sozinho, em silêncio. Não tenho uma rádio ou TV ou alguém por perto possivelmente umas 20, 22 horas por dia. Isso não quer dizer que eu seja feliz, ou infeliz, ou esperto ou estúpido. É só a maneira como vivo.

Sounds: Se vocês pudessem fazer a trilha sonora de um filme, qual escolheriam?
Mike: Kiss e o Fantasma do Parque.
Tim: Tubarão ou Star Wars.

Sounds: Mike, o que o Tim lhe contou sobre a visita dele ao Brasil? Temos a chance de ver vocês dois aqui?
Mike: O Tim me contou quão incrível é o Brasil, e estamos planejando de ir praí juntos em outubro, para shows do Owls e também solo. Estou muito empolgado!


Sounds: Mike, o American Football acabou antes mesmo de ter um disco, mas vocês experimentaram uma popularidade crescente ao longo dos anos. Acha que isso teria acontecido sem MP3 e a internet?

Mike: Provavelmente não. Aconteceu de o disco sair bem na época do Napster, quando o compartilhamento de arquivos estava começando, e isso definitivamente facilitou as músicas serem espalhadas pelas pessoas.

Sounds: Por que decidiram gravar um vídeo para “Never Meant” depois de tantos anos?
Mike: Na verdade, foi uma ideia da Polyvinyl, para lançar junto com o relançamento do disco, e nós concordamos que seria algo divertido/legal.

Sounds: Você me parece bem entusiasmado com a bateria de Their/They’re/There. Você sentia falta da bateria de uma maneira mais dinâmica? Como é a transição da percussão para um papel mais melódico, como um cantor?
Mike: Sim, é muito divertido tocar bateria de um jeito mais punk novamente! É um papel completamente diferente do que tenho no Owen, e ser capaz de fazer os dois é muito bom. As bandas satisfazem necessidades criativas diferentes e me sinto muito sortudo de poder contar com as duas.

Sounds: Tim, como foi a transição para o Owls e para o Joan of Arc? Tinha uma ideia de como você queria soar?
Tim: Bom, o Joan or Arc muda muito de sonoridade. Quando o Owls começou, era bem diferente do que o JOA estava fazendo na época – muitos computadores etc. Agora, ambas usam equipamentos similares, mas têm processos de composição e maneiras de se falar sobre isso muito muito muito muito diferentes.

Sounds: Como foram as duas vezes em que você esteve no Brasil, para shows solo e com o Joan of Arc? Os ingressos se esgotaram, e você parecia bem surpreso diante do público, especialmente quando alguém “passou a mão” nas suas palhetas logo após o primeiro show solo [no Sesc Belenzinho].
Tim: Cara, sou o homem mais sortudo, abençoado e grato do mundo. É uma honra e um privilégio maravilhosos poder viajar para tocar minhas músicas. O mais chocante sobre o Brasil é que os discos nem foram lançados aí, mas as pessoas os conheciam! Sim, foi fantástico! Não vejo a hora de voltar!

Sounds: Eu me lembro de você falar de preferir tocar guitarra em vez de um tomar uma certa medicação. Se importa de nos contar qual a relação entre a música e sua saúde?
Tim: Ah, sei que naquela época eu tinha saído de um mês muito horrível – fui derrubado por uma depressão que nunca havia experimentado antes. E eu simplesmente não conseguia me concentrar ou trabalhar – eu costumo ter vários empregos diferentes, mas não consegui fazer nada. E eu não tocava com regularidade há uns seis meses – era um show ou outro e alguns ensaios, mas nada de compor ou tocar por diversão. E tocar novamente definitivamente contribuiu para tirar todo o peso de uma vez.

Entrevista publicada originalmente no site Suppaduppa.