Sonic Youth: ‘Daydream Nation’ Os 30 anos de um dos discos mais importantes do rock alternativo

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“Esta não foi/não é uma banda normal. Cada noite é um jogo de dados. É bom ser mais selvagem e menos profissional, pra variar. […] Não podemos sempre chamar de música, mas geralmente podemos chamar de som.”

Em Jrnls80, a maneira como Lee Ranaldo descreve a fase vivida pelo Sonic Youth no final da década de 80 é de arrepiar. É a visão de quem estava dentro daquele furacão criativo.

Daydream Nation, disco que completa 30 anos, vem de uma comunhão entre a ética punk e a necessidade de criar ruídos que rompessem com o status de uma época. Arte e rock. Cada qual no seu canto. Um forçando as fronteiras do outro em uma relação que deu origem ao universo do Sonic Youth.

Em “Teenage Riot”, lá pelo 01:20, não há como ouvir o riff que surge depois do mantra de Kim Gordon sem que a vista se afogue em amores, desamores, casos, descasos, conquistas, perdas, rompimentos, mudanças. Daydream Nation é sobre nós e “Teenage Riot” um dos nossos hinos.

It’s getting kinda quiet in my city head / It takes a teenage riot to get me out of bed right now

Em entrevista ao Sounds, Lee Ranaldo disse pra gente que na época de Daydream Nation, eles estavam numa relação próxima com o Dinosaur Jr e que isso, de certa forma, influenciou algumas coisas no disco. Ali há também, segundo Lee, a recorrente dose do rock de Detroit, como o MC5 e Stooges.

A começar pela capa de Gerhard Richter, Daydream Nation é um complexo e explosivo abraço no avant-garde, no primitivo, no grunge, no punk, e no barulho da Nova York dos anos 80. Mas nos intervalos das microfonias e melodias, mora também uma adorável sensação de pertencimento e completude. Daydream Nation nos faz bem.

Para a banda, foi a aceitação de um universo novo para o qual eles queriam ir. E nós, seguimos. É o nosso “trauma” bom, que sempre será lembrado com carinho. A cada audição, Daydream Nation vai ser sempre nosso melhor primeiro encontro.

Para comemorar o aniversário deste exemplar valioso do rock, reunimos os depoimentos de gente cuja vida foi transformada pelo disco. Dá uma olhada:

A gente não teve músicas extras neste disco que ficaram de fora. Todas entraram. Tínhamos composto uma certa quantidade, e elas eram muito longas para um álbum único. Por isso o Daydream Nation se tornou um disco duplo. Quando tivemos esta ideia, fizemos algumas graças, como a tal “trilogia do final”. Tínhamos em mente estas bandas grandes com discos duplos, como Yes e Emerson, Lake & Palmer. Mas o Zen Arcade (Husker Du) e o Double Nickels on the Dime (Minutemen) já tinham saído, então nos sentimos encorajados por nossos amigos. Outra coisa curiosa é que muitos amigos que nos viam tocando ao vivo com frequência nos falavam que não tínhamos capturado aquela energia em um disco ainda. Isso também influenciou na decisão de tornarmos este álbum duplo.
Steve Shelley (Sonic Youth)

Lee Ranaldo e Steve Shelley, em 1988, no Watt From Pedro Show

Fui criada com minha mãe acendendo vela pra tudo: “Não perca a fé, minha filha. Vamos acender uma vela aqui e rezar que vai dar tudo certo”. “Assopra as velinhas e faz três pedidos”. “Acende uma vela pro santo tal pra resolver tal coisa…” e por aí vai. Eu não criei o hábito de acender velas (salvo quando falta luz). Mas criei o hábito de botar pra rolar o meu “disco da vela” desde a adolescência, para acalentar o coração em vários momentos em que minha mãe, certamente, acenderia uma vela. Desde os primeiros acordes de “Teen Age Riot” um sopro de esperança em qualquer que fosse a situação, até o exorcismo em “Silver Rocket e “Cross the Breeze” (diga-se de passagem, uma das maiores catarses que já vivenciei, no SWU em 2011, ultimo show da banda). O “disco da vela” me acompanha em muitos momentos nessa vida há muitos anos e sempre me traz a paz ou força que preciso pra seguir em frente. Obrigada, Sonic Youth.
Liege (Medialunas)

Eu tinha por volta de 15 anos quando este meteoro caiu no nosso planeta e só me dei conta alguns anos depois. Lembro que nesta época (89?) eu andava com um amigo, o Luís, e o irmão dele era DJ de um inferninho em Guarulhos. Fazíamos o curso de Computação e ele sempre me apresentava uns sons que gravava nas suas fitinhas k7. Era mais post punk inglês, apelidado por aqui de dark: The Cure, Joy Division, Sisters Of Mercy, Bauhaus, entre outras. O que mais me chamou atenção foi o Psychocandy, do Jesus and Mary Chain. Foi meu primeiro contato com a sujeira vinda dos pedais e as imperfeições microfônicas. Aquele era o verdadeiro eu, o noise encarnado. Virou meu disco de cabeceira. Já nos anos 90, quase dois anos de curso, fui ficando ainda mais camarada do Luís. Lembro de várias tardes de domingo tomando vitamina de banana que a mãe dele preparava, fuçando nos discos do irmão dele e ouvindo um tal de Rock Report, programa apresentado por Fabio Massari. Foi minha alfabetização musical e a primeira vez que ouvi “Teen Age Riot”. Foi uma explosão de sentimentos muito foda. Eu não tinha muita noção de o quanto este disco poderia influenciar no meu modo de pensar, mas tenho certeza que este som, e o nome da banda, soavam como um grito de liberdade. Apesar de não ter sido meu primeiro disco do Sonic Youth, é meu predileto. Em 1994 comprei a versão em CD e não desgrudei, encostei o Psychocandy dos Jesus and Mary Chain na parede. São 30 anos de pura fidelidade. Um disco que me acompanha nos melhores e piores momentos. O Sonic Youth mais perfeito de todos. O cruzamento da palavra com o barulho. As músicas de Daydream Nation combinam os aspectos hipnóticos da drone music com a energia rude do hard rock. Talvez seja o álbum que finaliza a jornada do Sonic Youth de “intencionalmente feio e vanguardista” para “naturalmente feio e acessível”. Meu amigo Luis? Um tempo depois, o cara que tanto compartilhou sobre música resolveu colocar seu capacete, embarcar no foguete de prata e partir para sempre, deixando muita saudade e memórias afetivas intermináveis.
Nilson Paes (Editora Terreno Estranho)

Eu tinha ouvido falar que o Sonic Youth iria fazer um álbum duplo. Isso já tinha sido feito pelo Zen Arcade, do Husker Du, e pelo Double Nickels on the Dime, do Minutemen, então não era uma notícia totalmente inesperada ou chocante. Mas equivalia a “uau, eles lançaram a declaração definitiva, o disco duplo!”. Eu associava isso a coisas como o White Album (Beatles), o Exile in Main Street (The Rolling Stones) e o Quadrophenia (The Who), estas obras de arte mais extensas. Algumas vezes o resultado era triunfante, outras, um desastre autoindulgente. Estava curioso pelo resultado do Daydream Nation e quando saiu, nossa, era redondinho. E o álbum tinha umas longas passagens instrumentais, o que me empolgou bastante.
Michael Azerrad (Autor do livro Nossa Banda Podia Ser Sua Vida / Our Band Could Be Your Life)

Lee Ranaldo ao vivo em 1988. Foto: Rick McGinnis

Uma das minhas maiores alegrias foi saber que a banda para a qual eu ia entrar, o Pin Ups, estava com o álbum a ser lançado pela gravadora Stiletto. Eles lançaram um vasto catálogo de álbuns incríveis no final dos anos 80, início dos anos 90, incluindo o Daydream Nation e o Sister, do Sonic Youth. O Daydream Nation foi um dos álbuns que mudaram totalmente meu conceito de noise band. “Teenage Riot” e “Silver Rocket” tocaram repetidamente no meu walkman, eu tinha essas faixas em várias coletâneas que eu mesma gravava pra poder ouvir na rua. A baixista e vocalista Kim Gordon sempre foi uma grande inspiração pelo seu talento como artista plástica, musicista e pela sua atitude.
Ale Briganti (Pin Ups)

Kim Gordon montando algumas capas do vinil de Daydream Nation

Daydream Nation chegou despedaçado na minha mão. Primeiro vi o clipe-performance de “Silver Rocket” no programa Som Pop, da TV Cultura, do saudoso Kid Vinil. Me impressionou a pegada punk com a doçura de acordes abertos e a barulheira total no meio da canção. Depois peguei uma fita emprestada com o Tião, que viria a ser o baterista do Personal Choice. Era uma fita dos Stooges, na verdade. Quando gravávamos um disco de 40 minutos em fita cassete, sempre preenchíamos o tempo restante com o rabicho de outro disco. Foi assim que tive contato com as 3 últimas faixas do Daydream Nation, a chamada “Trilogy” (The Wonder/Hyperstation/Eliminator Jr). Fiquei chapado com os contrastes de novas afinações, barulho, doçura e referências que passavam pela psicodelia, punk, artes plásticas, poesia beatnik. Na época, o Goo tinha sido lançado e a gravadora Stiletto tinha lançado o Sister. Posso dizer que ouvi fitas do Daydream Nation e do Sister até estragá-las. Foi a trilha sonora das minhas angústias existenciais da juventude sônica e esses discos moldaram a minha percepção crítica em relação à arte daquele instante em diante. Saravá SY.
Kiko Dinucci (Metá Metá)

Quando recebi o convite para tecer algumas palavras sobre o Daydream Nation aceitei na hora, mas, um tempinho depois pensei comigo, “E agora cacete, falar o que….tudo já foi dito sobre ele…acrescentar o que?” Dúvidas me fizeram passar alguns dias e concluo que o Sonic Youth é meio que um divisor de águas, visto que, até então, meu envolvimento com a música se dava mais com o lado inglês do que com o “lado americano”. Mas alguns momentos foram cruciais,  como o Warehouse, Songs and Stories, do Husker Du; o Surfer Rosa, do Pixies; e o Sister, do Sonic Youth. A partir daí, o vício em Sonic Youth foi algo brutal. Comecei a rodar as lojas de discos de SP atrás de tudo que eu podia, e era difícil pra cacete, por sinal. Eu tinha um ritual. Ligava a televisão todos os domingos, rigorosamente às 19h, para ver o Som Pop, programa do mestre Kid Vinil, na TV Cultura. Em um destes saudosos domingos, Kid anunciou o videoclipe de “Silver Rocket”;  até então, eu não havia escutado nada do Daydream Nation. Aquelas imagens dominaram minha mente, todos eles atacando literalmente seus instrumentos com uma velocidade alucinante, as imagens de Kim, Thurston, Lee e Steve me desgraçaram fortemente. Usualmente, quando o Som Pop acabava, eu desligava TV e vídeo cassete e ia pra algum inferninho, tipo Retro ou Madame Satã. Mas naquele domingo, revi o videoclipe inúmeras vezes e “Silver Rocket” tornou-se meu elo, minha unidade particular com a banda. Alguns anos depois “Teenage Riot” causou a mesma coisa. Em termos de clipe, ok, mas o estrago já estava feito. A fita K7 já tinha sido gravada em alguma loja das grandes galerias de SP, e o Daydream Nation já era parte do meu caráter. Até hoje, quando vejo o clipe de “Silver Rocket”, aquele arrepio na espinha e o olhar esbugalhado da minha primeira vez retornam com a mesma velocidade das imagens.
Renato Malizia (The Blog That Celebrates Itself)

Foto: Michael Lavine

Comprei o Daydream Nation entre 1993 e 1994 num Carrefour da marginal do Tietê, na zona norte de São Paulo. Estava entre ele e o Álbum Branco, dos Beatles, ambos pelo mesmo preço, mas peguei o do Sonic Youth por entender que era mais fácil achar o dos Beatles em qualquer outra loja, o que não valia pro Sonic Youth em 1993 ou 1994. Não era em qualquer loja que se encontrava o Daydream Nation a um preço que cabia no bolso. Gosto até mais do ‘apelo pop’ do Goo, talvez a porta de entrada de muita gente pra discografia da banda (foi a minha), mas o Daydream Nation tem um jeito meio conceitual, com músicas mais longas, algumas que se parecem continuação das anteriores, mais momentos instrumentais, que dão um outro caráter ao disco. Tem muita coisa boa nele, “The Sprawl”, “Eric’s Trip”, “Total Trash, “Hey Joni”, a trilogia final… Uma vez o Jim Reid (Jesus and Mary Chain) disse que o William Reid “sabe como usar uma guitarra da maneira errada”. O Sonic Youth nunca soube como usá-la da maneira correta, o que é ótimo. O Daydream Nation é só mais uma das amostras deles sobre como destruir o instrumento, como lidar com ele como se fosse um simples pedaço de pau, e eu acho que rock é basicamente (ou deveria ser) sobre como usar a guitarra da maneira errada.
Filipe Albuquerque (Duelectrum)

Lee Ranaldo e Kim Gordon, ao vivo, em 1988

Lembro de ter me encantado com o clipe de “Teen Age Riot”, que conheci já nos anos 1990 depois do lançamento do Daydream Nation. Acho que foi pelo programa “Lado B”, da MTV Brasil. O fato de ter a Kim na banda também me chamava a atenção pela figura feminina tocando um instrumento, tenho essa lembrança. Esse disco chegou na minha vida primeiro em videoclipe e ajudou a moldar meu gosto musical. Na época eu era só uma criança curiosa por música em tempos pré-internet.
Susan Souza (Cinnamon Tapes)

Juventude Sônica Acende 1 Vela Pra Nação Que Sonha Acordada
(Ou diria delira?)
Chega a ser sinistro o quanto esse disco dialoga com o pesadelo em curso no país.
Até o verde-bandeira já obscurecido da capa parece gritar:
“Brazil Will Ill”
A urgência no ar…
Kim Gordon joga luz, disso eu tenho certeza. É um foguete prata em carne & osso.
Mesmo assim, nesse caso, mesmo ela,
Só consegue cruzar a brisa à luz de vela.
Pra velar a nossa nação.
Rest in Piss
Mas os violões seguem violando
Revolta adolescente, J. Mascis presidente!
Queimando 1 buraco no bolso
Nazi Nunca
Jamais
Jah é mais.
Mas,
De uma vez por todas,
Q seja eliminado o Eliminador Junior.
E quer saber?
A golpes de guitarra.
Com afinação dissonante, de preferência.
Rodrigo Brandão (Gorila Urbano)

Vou arriscar uma tese: Daydream Nation é a adolescência do Sonic Youth. Adolescência não no sentido de imaturidade, mas de complexidade de comportamento, o “Teen Age Riot” literal. Se mapear a discografia da banda em uma vida humana [não faz sentido nenhum, não importa], Daydream Nation é os 14-17 anos: esquisito, meio errado, puto, confuso, enfrentando a tempestade de hormônios com um misto de tensão, aventura e lirismo, mas ao mesmo tempo engajado em sua própria consciência. Tudo o que veio antes foi a formação da infância, tudo o que veio depois foi a maturidade da vida adulta. Daydream Nation foi a transição, a ruptura e a definição de todo um caráter.
Elson (Sinewave / Herod)

Foto: Divulgação

Fazia tempo que eu não ouvia o Daydream Nation. Eu sempre tive a impressão de que o disco existe num lugar parecido com o In on the Kill Taker, do Fugazi, no sentido de que divide a carreira da banda e resolve ideias que vinham sendo trabalhadas em todos os dicos anteriores. Do mesmo jeito do disco do Fugazi, não é necessariamente o meu favorito (Sister, Evol, e os subestimados A Thousand Leaves e NYC Ghosts and Flowers me vêm a memória). Mas talvez seja o disco mais importante. É definitivamente a ponte entre a primeira parte da carreira deles e o que viria na sequência, a partir do Goo. Dito isso, nunca vou me esquecer de estar na plateia na primeira vez que eles tocaram em São Paulo e ouvir a introdução de “Teen Age Riot”.
Guilherme Granado (Hurtmold)

Foto: Rick McGinnis

Era começo dos anos 90 quando vi pela primeira vez o vídeo de “Teen Age Riot” na MTV, e aquilo me atingiu como um soco. Eu havia descoberto o Sonic Youth há pouco tempo, ainda digeria o Sister, tinha roubado o Dirty numa festinha de aniversário e ele já era disco de cabeceira, mas aquele clipe…ah, aquele clipe. Não sei se todo mundo que viveu aquela época a entendeu da mesma forma, mas pra mim aquilo era o suprassumo de tudo que eu queria ser, era minha essência colocada numa música, era barulhento, punk, caótico, um espasmo violento. E depois dela ouvi “Silver Rocket”. Porra, nada mais seria como antes. Dali pra ter contato com o Daydream Nation foi um pulo. Nunca vou me esquecer do pedaço de uma frase no encarte, que definia o disco como “a picture of a moment taken with a Polaroid”. Entre uma sessão e outra de skate, entre um baseado e outro, lá íamos nós para 1h10 de viagem sensorial enquanto absorvíamos absolutamente tudo que ela pudesse nos dar; do texto escrito pela artista alemã Jutta Koether – de onde veio a frase acima – à ficha técnica, passando por aquela foto clássica da banda para depois, quando terminava “Eliminator Jr.”, começarmos tudo de novo. Vem dessa época o hábito de, para além de ouvir música, impregnar-se dela, cheirá-la, tocá-la; enfim, senti-la. Então, se Daydream Nation não é sinônimo de amor, não sei o que é.
Fabio Bridges (Pequenos Clássicos Perdidos)

Início dos anos 90, um amigo chega em casa com alguns discos importados que tinha ganhado de presente. Dentre todos o Daydream Nation chamava atenção pela capa. A imagem de uma vela acesa era poética demais pra mim e bem diferente das capas dos discos que já conhecíamos deles. Já éramos fãs do Goo, e o Dirty tinha sido lançado naquele ano. Colocamos o toca-discos pra funcionar e piramos de cara com a música que abre o disco. Em tempos de pré internet, não conhecíamos ainda um dos maiores clássicos da banda. Teenage Riot tem todas as características do som promovido pela banda. É uma canção poderosa e nos ganhou já na primeira audição. A introdução, com a Kim Gordon declamando “Spirit desire… we will fall” quase como um mantra, é meio que hipnótica. Você fica esperando o caos começar. E ele vem. Aí já é tarde demais pra não ser atropelado pelo disco. Eu poderia ficar aqui listando todos os grandes momentos do disco. Da energia de “Silver Rocket”, da urgência e rapidez de “Cross The Breeze”, da cadência de “Total Trash”, e por aí vai. Mas prefiro apenas declarar amor por esse disco, que é um dos favoritos da vida mesmo. 30 anos depois e ainda não ficou datado. Só grandes registros conseguem essa façanha. Daydream Nation tem um lugar especial no meu coração.
Glauco Ribeiro (Lava Divers)

Kim Gordon e Thurston More. Foto: Heather Harris.

Por ter sido o primeiro que eu considero aquele que você escuta do começo ao fim, por horas a fio, e por ser um disco agressivo, considero o Daydream Nation o disco mais representativo do Sonic Youth. Lembro de conhecer este disco pelo vídeo de “Silver Rocket”. A intensidade daquilo tudo era bem confuso mas também bem familiar. As guitarras me lembravam muito os riffs do Black Flag, porém elas meio que se entrelaçavam uma na outra. Pareciam que iam de um lado ao outro, quase que como uma corrida de carros em vídeo acelerado (devo ter visto esta imagem simultaneamente a este disco em algum momento). De “Silver Rocket” para o disco todo foi um pulo. Era como uma trilha. Você colocava o começo do disco e ia até o final e aquilo tudo fazia sentido. No meio desta trilha, alguns momentos se desconectavam daquela agressividade toda, era bem confuso. Você tinha que estar ligeiro pra não se perder. Eu só entendia que o punk era a combustão essencial para aquilo tudo. O resto ainda segue bangueando na minha cabeça de um lado pro outro. Daydream Nation é puro esmeril.
Luciano Valério (Desmonta Discos)

Foto: Divulgação