De uns tempos pra cá, a música parece ter virado um grande delivery: tem que entregar isso, aquilo e mais num sei o quê, promete e não entrega, ou entrega mesmo quando não tinha sido solicitada. É bem injusto colocar a música em um sistema de expectativas porque os efeitos de uma arte são indomáveis e subterrâneos, ou seja, ocorrem mesmo que não estejamos preparados, além de ignorarem qualquer tentativa de controle porque nos afetam inconscientemente. Isso quer dizer que o quanto gostamos de uma canção ou banda é mais indeterminado e surpreendente do que imaginamos. Nisso, o tempo só nos ajuda, porque ele permite que uma música drible o que dela se espere e cresça em impacto dentro da gente.
Tudo isso pra dizer que os discos de que mais gostamos em 2025 tiveram espaço para comover, perturbar e animar. Não que tivéssemos planejado isso, é o tipo de constatação que só tivemos quando percebemos os álbuns escolhidos. De um modo geral, podemos dizer que eles são menos diretos e óbvios em suas realizações. São do tipo que precisa de respiro e repetição para que as mensagens decodificadas fiquem ainda mais especiais. Supomos que eles tenham envolvido muito trabalho, tentativa, refação e insistência dos artistas. E isso tem se tornado cada vez mais valioso pra gente, pois são discos que operam numa lógica bem oposta ao do encantamento nos primeiros segundos – ao contrário daquela ideia esquisita de que uma música deve ser descartada se não capturar a escuta antes de um minuto.
Em outras linhas, estes são os discos que “ficaram” com a gente neste ano. Como é de praxe, a gente escreve sobre os favoritos um do outro, o que não significa que a gente vá fazer uma propaganda “justa” hahahaha….de toda forma, esperamos que estes álbuns tão estimados possam ocupar algum espaço nos ouvidos de vocês – a playlist pra ouvir os sons tá lá no fim do texto. E em tempo: feliz 2026!
OS DISCOS MAIS LEGAIS DO VINA DESCRITOS PELA AMANDA:
Greet Death – Die in Love

Nussa, que espetáculo de disco… Às vezes parece que toda distorção atmosférica em uma banda acaba categorizada no cruzamento entre o dream pop e o shoegaze, mas é muito interessante ver que o Greet Death passa por outras esquinas conhecidas, como o post punk, o slowcore e o indie, e delas surpreendentemente recolhe uma expressão musical mais expansiva e declaradamente pretensiosa. Quantos encaminhamentos inesperados de uma faixa a outra, preservando a complementaridade que há entre os dois vocais! Vide a passagem de “Country Girl” para “Red Rocket”. E tem algo da dramaticidade vocal que me fez pensar num Our Lady Peace banhado em noise. “Same But Different Now” e “Motherfucker” me pegaram de jeito. Depois de ouvir junto com o Vina algumas vezes ficou bem fácil de entender por que ele recomendou tanto esse álbum. Baita dica! Aliás, com uma das capas mais incríveis.
DeafTest – Sem Esperanças

A junção do Test com o DeafKids é tipo um Megazord de peso e brasilidade. Não tem erro, eles vão te salvar, vão salvar sua semana, vão salvar o rock, vão libertar a Groenlândia, vão fazer a Selic cair, tudo é possível. São duas bandas experientes com uma bagagem distintiva e celebrada, mas absolutamente dispostas a alargar o perímetro sonoro que as fez ficarem conhecidas. Quando você pensa que finalmente está “sacando” um pouco do vocabulário musical deles, chega um outro elemento inventivo conectando a música extrema ao suingue e ao molho que só o Brasil tem. Tudo apenas com guitarra, percussão e synths. Esse disco parece carregar um peso extra, o da denúncia dos absurdos que andam rolando aqui e no mundo. A vida, então, pede uma reação no conteúdo E na forma. E aí a estética frenética guarda uma intimidade curiosa com o que é sombrio e intangível, como se tivesse alguém à espreita o tempo todo. Senti isso especialmente com a “Cegueira” e a “Pó de Ferro”, que são eletrizantes e lúdicas, mas bem aflitivas e fantasmagóricas.
Deftones – Private Music

Peço desculpas antecipadas pros defties, mas não consigo ir além do White Pony – um disco que eu adoro, diga-se de passagem. Sendo o Vina um fã dedicado e das antigas, essa casa nunca fica sem escutar Deftones, e eu sempre fico encafifada com minha falta de sensibilidade. Mas fiquei feliz com a felicidade dele ao ouvir o Private Music e sentir que a banda tava de volta. Tive a impressão de que as faixas estão mais “libertas”, sem ter que provar nada a ninguém – tô aqui pensando na “Ecdysis” e na “Departing the Body”, que achei bem legais. Gostar gostar meeesmo foi da “I Think About You All The Time”. Sei que é uma banda com assinatura inconfundível, um legado sólido, o Chino parece estar mais tranquilão nos vocais e dezenas de milhares de pessoas ficarão bem emocionadas no Lolla deste ano. Decidi ficar em paz com minha limitação e estou contente com minha firme devoção ao White Pony (lá se vão 25 anos!), além de mentalizar todo mundo subindo nas carteiras da escola.
Leia também:
- Bandas: Tropical Fuck Storm
- Livro: Mark Lanegan – Devil in a Coma
- Revisitando Um Clássico: Mutilator – Into the Strange
Crizin da Z.O – ACLR+6

O Vina tinha me chamado a atenção pra esse verso genial: “eu gosto da Bjork, mas eu prefiro a Juçara”. E de fato essa rima me capturou pra tudo que veio depois: “eu podia ter escrito um samba ou escrito meu nome na parede ou usado a palavra ‘escrevido’ porque eu gosto dela” ou “remixaram sua vida sampleando sua memória” – meus ouvidos tiveram acesso a uma literatura maravilhosa e a música fluía dela de uma forma deliciosamente caótica. Parece que o eletrônico, o industrial, o hip hop e o samba que escutamos neste EP convocam uma entidade contemporânea, como uma cronista, e ao mesmo tempo futurista… ela parece trazer notícias de como será o Brasil que finalmente entender que a periferia é o centro ético e estético das transformações mais criativas e fundamentais. Crizin da Z.O. parece apontar caminhos, e a música cumpre uma função que creio ser das mais bonitas, que é a de inspirar esperança sem ingenuidade.
Cloakroom – Last Lego f the Human Table

Este é um disco que cativou já na primeira ouvida, acredito que muito porque o Vina já vinha me contando dele, sempre muito animadamente. Guitarra cheia de camadas, baixo granuladão e melodias adocicadas são um combo meio irresistível pra mim, mas sempre tem o risco de essa trinca virar uma formulinha sem brilho. Acho que o Cloakroom se destaca porque parece habitar com tranquilidade os códigos dos anos 80 e 90 sem que precise se filiar a um ou outro. Na “Unbelonging, por exemplo, fiquei com a sensação de um encontro entre o Replacements e o Yo La Tengo da era do I Can Hear the Heart Beating as One. Aliás, uma matriz de referência parece mesmo ser o Yo La Tengo, mas com o pé mais constantemente cravado nos pedais de distorção.
Facada – Truculence

O Vina sempre destaca o Facada como uma das melhores bandas daqui e eu gosto bastante de acompanhar o entusiasmo dele, ainda que não seja ouvinte de crust. Pra quem curte metal extremo cheio de crueza e que toma as questões brasileiras de assalto, taí um disco promissor. É direto ao ponto, chega atropelando tudo, mas não tem problema em parar quando necessário, como o curioso remix de “Não Dormir, Nunca Acordar”. Pensando bem, o disco flerta com outras possibilidades, como o encerramento com a “Dwyer”, que carrega um beat lúgubre, mas estranhamente coerente com toda a voracidade que veio antes. Eu não sei do que eu tô falando, gente, corro o risco de estragar a experiência, então, parem já de me ler e vão ouvir o álbum que ceis vão ser mais felizes.
Siem Reap – Wishin’I was Fishin’

Atenção, arautos da melancolia: vocês têm um concorrente de peso na área e ele vem da Bélgica. O Gilles Demolder encarna o Siem Reap, mas ele vem de uma história de muito peso e urgência com suas outras bandas, Oathbreaker e Wiegedood, todas apresentadas pra mim pelo Vina com uma empolgação enorme. Foi este mesmo ânimo que acompanhou a recomendação dele pra eu ouvir o Siem Reap lá em 2021, e ele acertou em cheio, tanto que foi um favorito em comum. E o disco dessa vez é igualmente cheio de qualidades: espere encontrar um lo-fi bem bonito, baseado em violão, com letras longas, desacostumadas da pressa que costuma orientar as cartilhas de lançamentos. Aqui você presta atenção em cada segundo, e segura a respiração junto com o Gilles quando ele abre a porta para o expurgo contagiante que vem na “Live Love Leave”. E ela é sucedida por minha preferida, “Ballerinas” e seu convite imersivo (essa palavra já foi reabilitada ou continua sequestrada pela publicidade??) irrecusável. Voltando aos arautos, o Siem Reap parece habitar o mesmo mundo sonoro de Bright Eyes, Elliott Smith e Julien Baker. A tristeza fala mais alto com eles e algumas paisagens parecem dolorosas, mas isso também é vida.
Hayley Williams – Ego Death at a Bachelorette Party

Acho que a Hayley é dona de um contágio criativo dos mais valiosos surgidos em uma época de estética esmagando o rock mainstream (quando se falava mais do visual e menos do som). Ela juntava ambos. Fazia muito sentido que a banda dela, o Paramore, carregasse o chamado pop punk nas costas porque justificava a existência desse gênero paradoxal (se o punk é antissistema, como poderia ser pop?) de uma forma dedicada e autêntica. Pois bem, achei que fosse encontrar pop punk no disco solo, mas quebrei a cara. Aqui a levada é mais electro, dançante e indie, inclusive fez lembrar o Metric. Dentre as faixas que mais saltaram, gostei muito da “Whim”, com uma guitarra que parece o Pinback, e da “Kill Me”, que tem ares de Spoon na bateria, mas parece encontrar outros ecos em nomes como o Garbage. Confesso que a infantilização da voz em “Glum” me incomodou um pouco, a letra por si carrega a vulnerabilidade que Hayley parece querer comunicar nos versos. Apesar de os comentários serem bastante voltados para a maturidade de Hayley neste álbum, o saldo me pareceu bem jovial, de alguém que encontra muita vitalidade nos recomeços.
terraplana – Natural

Que legal ver este disco na lista do Vina. O Olhar pra Trás já sinalizava bastante o talento desse quarteto paranaense, mas natural vem com aquela aura de quem experimentou, apostou e agora conhece bem os pontos fortes. Gosto de como eles texturizam as músicas usando algo mais que as dissonâncias, inclusive com a voz aveludada da Stephani Heuczuk. Aliás, rola um contraste muito bonito com a bateria na “hear a whisper”. A “Desaparecendo” é outra faixa bem massa e que lucra muito com a dupla de vocais (o Cassiano Kruchelski é o outro vocalista da banda). O shoegaze às vezes espanta porque muitas bandas reverenciam os cânones (Slowdive, Ride, MBV) e ficam por lá, mas não é o caso aqui, em que os detalhes propagam outros ares a ser respirados – na “horas iguais” me veio muito o indie do Pinback e a “amanhecer” me lembrou uma cadência meio Pavement.
Sumac + Moor Mother – The Film

Que trem doido isso, não conhecia a Moor Mother e fiquei bem intrigada quando escutei essa poesia apocalíptica que brota de um chão rachado pela turbulência – um oferecimento do Sumac e suas paisagens agonizantes e sombrias. Essa turma junta deu liga demais, selinho de mal-estar conquistado com sucesso, e eu juro que esse comentário é convidativo. Deixa eu explicar: a gente precisa digerir as coisas absolutamente absurdas que têm rolado no mundo, e a arte ajuda a dar suporte (ou a pôr pra fora) a esse tanto de desconcerto que tantas vezes nos paralisa. Acho que a “Scene 5: Breathing Fire” ilustra bem isso; são 16 minutos viciantes!
Mars Volta – Lucro Sucio; Los Ojos del Vacio

Eu nem tava sabendo que tinha saído um disco novo do Mars Volta e o Vina já tava pirando nele. O progressivo e o jazz, juntos, a 100km/h, oferecem um caos danado, mas é meio que isso que a gente espera deles. Só que eu fui pega de surpresa pela música que abre o disco, a “Fin”, porque ela é beeem pista de dança, e de um jeito direto. Geralmente associo o Mars Volta a composições super elaboradas e com direções improváveis, a exemplo do fenomenal Deloused in the Comatorium. Parece que neste aqui a vibe é mais Bowie e Brian Eno, talvez? É pra onde a “Cue the Sun” me levou, em certa medida. Paralelos à parte, o rolê deles é outro, acho que é um passeio lisérgico acalorado e misterioso. Infelizmente, não consegui embarcar muito.
Heaven’s Gate – Tales From A Blistering Paradise

Não se iludam com essa camisetinha do D.R.I. que eu tô vestindo na arte, minha blusinha correta é a do Braid e meu conhecimento de crossover é nulo, por mais que eu adore hardcore. Mas já que neste espaço a gente tem a liberdade de dizer o que veio à mente quando ouvia, vou deixar registrado aqui que fiquei atordoada em quase toda a audição, exceto na “Cassadaga” e na divertida “Bog Bodies”, que têm umas viradas bem interessantes e, vejam só, uns respirinhos. Acho que vou investir no lema “Buchecha sem Claudinho, sou eu assim sem você” e enaltecer os intervalos nessa equação: o alvoroço ensandecido precisa do respirinho. Prova disso é que a “Blood and Guts” pode até se candidatar ao posto de “balada” do disco (ok, fui longe demais).
OS DISCOS MAIS LEGAIS DA AMANDA DESCRITOS PELO VINA:
Ditz – Never Exhale

Da série “Discos que a Amanda disse que ia pegar”… E pegou! Lembro que ela indicou o Ditz após vê-los ao vivo, em 2023, mas deixei passar e o boleto do tempo comprovou que isso tinha mais relação com o meu “eu” do passado, do que com o meu “eu” que ouviu o disco com mais atenção. O mais legal é que, dentro do minimalismo proposto, o Ditz extrai uma certa identidade, principalmente no uso de alguns ruídos oportunos e andamentos de bateria muito bem sacados. Gostei!
Geese – Getting Killed

Certo dia baixou a Marília Gabriela, olhei pra Amanda e perguntei: Geeeeese em apenas uma palavra? Ela respondeu: “expansivo”. Eu poderia encerrar essas linhas por aqui, mas fora a característica precisamente trazida por ela, tive algumas percepções estranhas, talvez? Primeiramente, conforme as músicas foram acontecendo, por algum motivo me veio à lembrança a cena de Quase Famosos em que todos estão juntos dentro do ônibus e, aos poucos, se reconectam uns aos outros por meio da beleza de “Tiny Dancer”. Ou seja, de alguma forma, a aura 70s me levou pra um lugar legal da memória. Outra percepção foi que algo em “Trinidad” me soou similar a “Planet Caravan”, do Black Sabbath. Parece doido, né? Bom, o importante é que o disco é, no bom sentido, intrigante e exige uma certa dedicação. No mais, nos resta esperar pra ver de que forma o super hype dedicado ao Geese vai agir sobre a banda.
Throe – Silver Blue

🙃
Dead Pioneers – Po$t American

Conversem sobre música! Definitivamente! A percepção do outro é sempre um portal de compreensão de algo novo e foi o que aconteceu comigo por aqui depois de ouvir a Amanda comentar com tanta dedicação sobre Po$t American. Gostei bastante de “Mythical Cowboys” e, dividindo com vocês algo muito legal que ela falou, é que o Dead Pioneers consegue comunicar muito bem suas letras, algo que é muito caro ao punk e suas variáveis.
Lupe de Lupe – Amor

O meu primeiro contato com a Lupe de Lupe foi ao vivo, no Fabrique. E, depois do que eu vi, ficou claro que essa é uma banda de estrada, palco e contato. Na ocasião, a Lupe de Lupe estava abrindo para o Cloud Nothings e eu chapei com a forma como banda e público trocavam sangue, suor e lágrimas no calor do ambiente e das emoções que circulavam por ali. Amor veio altamente recomendado pela Amanda e, ao ouvir, eu entendi as razões. Do início com “Vermelho (Seus Olhos Brilhando Violentamente Sob os Meus”) até “Redenção (Três Gatos e um Cachorro)” (que baita música!), ficou evidente se tratar de um disco de feito quase sempre árduo: o sucesso em transmitir a energia dos palcos para o álbum. Amor me passou isso. O sangue, suor e as lágrimas que circularam pelo Fabrique à época do show estão presentes em cada uma das faixas.
Caroline – Caroline 2

Eu havia colocado esse disco em uma playlist com as novidades do ano. Eu não conhecia absolutamente nada sobre o Caroline e o despreparo, como quase sempre, foi meu aliado. Gostei! Bandas que, logo de início, me parecem desconjuntadas sempre me interessam um pouco mais. Mas veja bem, desconjuntadas no melhor dos sentidos, tá? E esse “melhor dos sentidos” vaificar muito claro quando você ouvir “Total Euphoria”. Algo parece fora do tempo, das métricas, dá possibilidade de texturas admitidas pela música de hoje. É aí que mora o charme do álbum que, além disso, propõe uma porção de belezas no decorrer das faixas. Ouça sem pressa!
Militarie Gun – God Save the Gun

Na reta final de 2025, a Amanda colocou esse disco pra gente ouvir em casa. Isso foi bom, porque rompeu a minha preguiça em relação ao Militarie Gun. Ela viu a banda ao vivo e foi só elogios em relação a energia do show e isso fez eu entender um pouco melhor o disco também. Conforme a gente foi escutando o álbum, a Amanda foi contextualizando que em God Save the Gun o Militarie Gun partiu para uma sonoridade diferente, e o quanto havia de Modest Mouse nas entranhas disso tudo. A linha de voz em “Throw Me Away” me lembrou o Blink 182, mas quando chegou o refrão tudo ficou melhor por me parecer algo que o GlassJaw poderia ter feito na fase Worship and Tribute… haha.
Maruja – Pain to Power

Em um primeiro momento esse disco não funcionou muito pra mim, o que é ótimo, porque isso só me provocou a ouvir de novo, e de novo, até que “Saoirse” bateu bem diferente. Foi a faixa que me fez voltar e ouvir o disco mais uma vez e então uma coisa ficou clara: o Maruja tem emoção, seja na beleza da música já citada ou nos ecos raivosos de Rage Against the Machine que aparecem ali em “Born to Die”. Pain to Power me parece ser desses discos que, com o tempo, se transformam e ganham mais espaço.
The Armed – The Future is Here and Everything Needs to Be Destroyed

Passar por The Future is Is Here and Everything Needs to Be destroyed foi como se a gente pudesse “ouvir” o filme Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo junto a alguns ecos de Dillinger Escape Plan, Fear Before The March of Flames e alguma coisa do SikTh (faz sentido?). Como diz a Amanda, eu não tenho as enzimas pra compreender o The Armed. Aqui a “loucura” sonora me parece um tanto sob medida, com uma proposta de ruídos e berros encaixados todos em seu devido lugar. É rock doidinho moderno.
Sport – In Waves

Eu havia lido sobre o Sport no Idioteq. E, apesar de ter gostado, ouvi muito pouco e revisitei o disco agora pra gente fazer nossa listinha. Gosto da trajetória por onde In Waves se desenvolve, e, devo dizer, toda estrutura é MUITO a cara da Amanda emo-cionada! O Sport tem algo do indie 90 sabor midwest emo 2000 com crocantes de macadâmia e guitar band. Em alguns momentos me lembrou o Polara, que a Amanda também adora, então me parece que tudo aqui gira em torno desse universo em que ela transita muito bem e que eu adoro conhecer sempre mais em nossas conversas.
Huey – Quinze

🙃
Lifeguard – Ripped and Torn

“Love is in the air”… Olhe para o seu amor como a Amanda olha para o Mission of Burma. Quando ela me falou sobre o Lifeguard, a dica veio junto à máxima: “essa banda lembra o Mission of Burma”. Ou seja, naquele momento eu já entendi que ela tinha pirado no Lifeguard e, de fato, motivos não faltam: ótimas composições, execução, o magnetismo das músicas e, claro, o paralelo com o Mission of Burma. Junto com o Seedbed e a Lupe de Lupe, esse foi um dos discos que mais me surpreenderam.
Stay Inside – Lunger

A Amanda tem revisto The O.C por aqui. Eu vejo junto com ela às vezes e acredito que isso tenha me contaminado a imaginar que as músicas desse disco poderiam estar na trilha sonora de algumas cenas da série. É quando, nas noites de Orange County, Marissa Cooper se escora em algum píer para repensar seus dramas olhando para o infinito e ouvindo “Mornig Breath” ou “Runnin”. Vale dizer que a Amanda já tinha colocado o Stay Inside como um dos discos mais legais de 2024. Ou seja, a indicação não é de hoje. Então, aperte o play!
Worlds Worst – American Muscle

O Radar Amanda ataca novamente. Quando me apresentou a banda, ela disse se tratar de um nome ainda pequeno e desconhecido. O Worlds Worst me parece esbarrar no emo real (loooonge do emo Fotolog) e em nomes como Superheaven, Fleshwater ou qualquer aderente ao “post-Hum” (isso deveria ser nome de um tipo de sonoridade, não acham?), vai curtir. O ponto é banda pegou seu emo/alterna, botou debaixo do braço, e tá por aí fazendo o seu som, ao que me parece, sem grandes pretensões. E isso, hoje em dia, é de um valor e tanto.
Seedbed – Stalemate

Ruídos, belas melodias, doses de dramaticidade e ótimos refrãos distribuídos em músicas que corroboram com uma banda que me parece estar muito à vontade com tudo isso. Dentro da lista da Amanda, Stalemate é um dos discos que mais gostei de conhecer. “C c c c c c c c c c c” (tive que contar… risos) é bem legal, mas o início com “Mouse At Your Feet” e “Fingertrips Like Ice (Sebastian)” e o final com a faixa que dá nome ao disco são pontos mais cativantes de Stalemate. Ouçam. Eu curti demais!
Algernon Cadwallader – Trying Not to Have a Thought

A cauda deixada pelo Cap’ n Jazz no cenário emo/indie é longa e significativa. E toda aquela aparente despretensão e carga emocional aparece em Trying Not to Have a Thought, do Algernon Cadwallader. Embora em alguns momentos lembre muito a banda que deu origem à série, não me parece que o Algernon Cadwallader seja apenas uma reprodução. Trying Not to Have a Thought soa muito bem. Portanto, sendo o emo a sua praia ou não, vale ouvir.
