Ruído Subterrâneo II

In Bandas, Especiais

Foto: Regis Bezerra

Vinicius Castro

Segunda edição do Ruído Subterrâneo, uma série que surgiu da vontade em dividir com vocês uma porção de bandas que estão fazendo bonito em todas as frentes produzidas no underground.

É uma lista pessoal, onde poderão figurar novos e já conhecidos nomes do nosso barulho. O mais importante é você ler, ouvir e compartilhar com o maior número de pessoas que puder, e assim fortalecer o cenário independente.

Esse é só o começo. Tem muita banda boa pra passar por aqui. Afinal, ruído bom é o que não falta na nossa música subterrânea.

ALERTA VERMELHO

Foto: Regis Bezerra

Para quem gosta de TSOL, Misfits e Magazine
Na etapa final de 2024 foi lançado Zero (Metalpunk Overkill Recs), o ótimo EP de estreia do Alerta Vermelho. Formada em Belo Horizonte (MG), a banda transpira o punk, mas não fica restrita somente a esse universo. O trio formado por Xopô (voz/guitar), LF (baixo) e Chavo (bateria), imprime também um tanto bom de powerpop e pós-punk em uma costura de composições redondíssimas, dando às seis faixas do registro um jeitão meio Magazine, Misfits e Elvis Costello em sua temporada junto ao The Attractions. Talvez pela métrica dos vocais, Vazio também jogou luz sobre uma possível conexão a nomes que circulavam à margem do mainstream do rock brasileiro dos anos 80, como o Varsóvia ou o Ness. Nada saudosista, diga-se. Apenas uma reminiscência sonora importante da nossa música.

FINIS HOMINIS

Para quem gosta de Corrupted, Grief e Fistula
Para além das composições, existe no sludge uma proposta sensorial em relação aos timbres que definem o estado de humor do estilo. Tudo é posto de uma forma arenosa e com uma densidade altamente grave. O Finis Hominis, formado por Mega (baixo e voz), Vitu (guitarra e voz) e João Paulo (bateria), é um ótimo representante desse cenário e In Sole Putridum, registro mais recente do trio, explora o peso em sua sonoridade como um veículo para um conteúdo calcado em mensagens raivosas, urgentes e necessárias (leia aqui o texto que explica a capa do EP). As quatro faixas têm, além da porosidade e cadência do sludge, uma proximidade com o doom e, em alguns momentos, com o death metal em sua vertente mais primal.

Leia também

PATA SÖLA

Foto: Regis Bezerra

Para quem gosta de Kylesa, Alice in Chains e Sleep
Os vetores do disco de estreia do Pata Söla, Migrante (Abraxas), giram em torno do reconhecimento de algumas raízes e da transposição de fronteiras, sejam elas sonoras, literárias ou de comunicação visual. A premissa é o rock/metal, porém as faixas reforçam uma certa liberdade em visitar outras sonoridades. É o que acontece, por exemplo, em “La Sangre” e na instrumental “Fugitiva”. Riffs percussivos, ritmos latinos, e, no caso da primeira, uma letra que alterna o espanhol e o inglês. Vale também o destaque para a dobradinha “Chaos” e “Echo”, onde o Pata Söla, formado por Iara Bertolaccini (guitarra e vocal), Marcelo Pineschi (baixo) e Jonas Cáffaro (bateria), visita sonoridades próximas ao rock mais solta e barulhenta produzida na Seattle dos anos 90 (Skin Yard, Alice in Chains, Green River…), o sludge, e, em certa medida, o space rock.

INSTITUTION

Foto: Franco Ceravolo

Para quem gosta de Poison the Well, Norma Jean e Jesus Piece
O Grande Vazio é o mais recente e, até o momento por aqui, o registro preferido do Institution. Lançado em um caprichoso formato 7” via Selecta Records e Vermelho Discos, o EP vai além de Ruptura do Visível (2020), trazendo composições que acentuam ainda mais as referências da banda. Isso acontece já em “Assimetria”, com doses de hardcore old school e blast beat – e aqui é importante destacar o diálogo bem alinhado entre baixo e bateria para que esses dois universos aconteçam sem se sobrepor. Junto a isso, riffs pesados, dissonâncias, breakedowns e vocais rasgados deixam a coisa emocionalmente caótica para que o texto seja comunicado à altura. O Grande Vazio, que conta também com uma participação especial de Jair Naves (Ludovic), me levou para o início dos anos 2000, a nomes como Norma Jean, A Life Once Lost, porém sem estar preso à época. É ruído de agora!

ISAURIAN

Para quem gosta de Type O’Negative, The Gathering e Bossk
Com The Pulsing Rush o Isaurian parece ter encontrado a sua sonoridade. No disco lançado em 2024, a banda soa segura ao equilibrar o peso vindo do metal progressivo e do doom metal, e ao acrescentar a isso algumas paisagens referentes ao post-metal e o post-rock. É também interessante como em uma vasta paleta de influências, o Isaurian também encontra espaços para explorar ascendências vindas de bandas como Type O’Negative e da contemporaneidade de nomes como o Bossk, por exemplo. O que se ouve em The Pulsing Rush é uma conversa com o que há de atual dentro da música pesada, em termos de captação, mixagem, masterização e direcionamento.